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ONGs estudam nova estratégia de luta após ‘fracasso’ da Rio+20

Rio de Janeiro, 22 jun (EFE).- As ONGs anunciaram nesta sexta-feira uma nova estratégia de luta pelo desenvolvimento sustentável que prevê mais mobilizações e a participação em futuras negociações da ONU, após o que consideraram como ‘fracasso’ da Rio+20.

Além de aumentar as pressões para que os Governos adotem medidas em favor do meio ambiente e da redução da pobreza, as ONGs, aliadas em diferentes plataformas, pretendem participar ativamente nas negociações que a ONU iniciará para definir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A estratégia foi anunciada por líderes das organizações Greenpeace e Oxfam, e da Confederação Sindical Internacional, que reúne 166 milhões de trabalhadores sindicalizados.

As três participam dos grupos que representam a sociedade civil na ONU, por isso que tiveram acesso às negociações da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, e fazem parte da plataforma que organizou a Cúpula dos Povos, o principal evento paralelo à cúpula que termina nesta sexta.

Representantes das ONGs, que entregaram hoje ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, um documento com as conclusões da Cúpula dos Povos, disseram que pretendem se organizar para continuar na luta.

Barbara Stocking, dirigente da Oxfam, assegurou que as ONGs trabalharão sobre uma das poucas coisas positivas que o documento da Rio+20 deixa, que foi a decisão dos Governos de 193 países de iniciar negociações para estabelecer Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, uma iniciativa da Colômbia.

Os ODS, metas que os Governos se imporão para assuntos vitais como água, biodiversidade e segurança alimentar, são inspirados nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que a ONU definiu para assuntos como fome, educação e saúde até 2015.

As negociações para definir as novas metas começarão ainda este ano no seio da ONU e já estão na mira das ONGs.

‘Após a aprovação do documento da Rio+20, Ban está de novo no comando das negociações. Aproveitamos a reunião que tivemos hoje para dizer-lhe que demonstre sua liderança colocando os sindicatos e a sociedade civil no centro das negociações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável’, assegurou a secretária da Confederação Sindical Internacional, Sharan Burrow.

Segundo Burrow, as ONGs trabalharão para que esses objetivos sejam definidos com metas e prazos específicos.

‘A Rio+20 deixou evidente que há uma crise de liderança e as ONGs querem ocupar esse espaço’, acrescentou.

‘Após o fracasso (da Rio+20) vamos embora convencidos de que temos que mobilizar as pessoas para lutar contra o desastre que ficou’, disse Sharan.

O diretor internacional do Greenpeace, Kumi Naidoo, qualificou como ‘algo criminoso’ o que uma centena de governantes não tenham dedicado nem meia hora para tentar melhorar um documento que vários dos próprios líderes qualificaram como pouco ambicioso.

‘Agora vamos investir mais em fortalecer nossa união (das ONGs) e a estender nossas ações para mobilizar mais trabalhadores, camponeses, mulheres e jovens em defesa do desenvolvimento sustentável’, segundo Naidoo, que anunciou uma ‘intensificação das pressões sobre os Governos e as empresas poluentes’. EFE