Novo Snowden? Contratado da NSA é preso por roubo de códigos

Harold T. Martin III prestava serviços para a empresa Booz Allen Hamilton, a mesma em que Edward Snowden trabalhava quando vazou dados confidenciais

O FBI (a polícia federal americana) prendeu um prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, acusado de roubo de informações altamente confidenciais, informou o Departamento de Justiça nessa quarta-feira. Segundo o jornal The New York Times, o homem é investigado pelo roubo e o vazamento de códigos usados pela NSA para invadir redes de computadores de governos estrangeiros, como Rússia, China e Irã.

Harold T. Martin III, de 51 anos, trabalhou para a empresa de consultoria Booz Allen Hamilton, a mesma que empregava Edward Snowden quando ele revelou a coleção de metadados da NSA em 2013.  Em comunicado, a companhia afirmou que quando “soube da prisão de um de seus funcionários pelo FBI” o demitiu imediatamente e ofereceu cooperação total às autoridades.

Martin foi preso no dia 27 de agosto, mas o caso só foi divulgado pela Justiça nesta semana, após o Times informar às autoridades que publicaria uma reportagem sobre o assunto. O episódio pode ser danoso para o governo de Barack Obama, que já precisou lidar com o vazamento de informações sobre suas operações de vigilância e espionagem no caso Snowden.

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Os documentos da Justiça mostram que o FBI encontrou milhares de páginas de documentos confidenciais na casa e no carro de Martin, além de “muitos terabytes de dados” em seus computadores. Autoridades também descobriram que alguns documentos secretos foram publicados na internet, incluindo um código. Ainda assim, de acordo com o Times, o FBI ainda não sabe dizer de Martin de fato vazou informações, entregou a terceiros ou apenas baixou os dados.

Após a detenção, Martin chegou a dizer a agentes do FBI que não roubou qualquer documento ou código. Mais tarde, porém, admitiu que sabia que não estava autorizado a pegar determinados materiais. Os advogados de defesa comentaram na quarta-feira que “não há evidências de que Martin pretendia trair o seu país”.

(Com agência Reuters)