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Mulheres entram com ação para provar que são filhas de Mandela

As famílias de Onica Mothoa e Mpho Pule, morta em 2009, contataram os advogados responsáveis pelo testamento do ex-presidente da África do Sul

As famílias de duas mulheres que teriam nascido a partir de relacionamentos extraconjugais mantidos por Nelson Mandela durante seu primeiro casamento entraram em contato nesta segunda-feira com os advogados responsáveis pelo testamento do ex-presidente sul-africano para tentar provar a paternidade. A sexagenária Onica Mothoa e Mpho Pule, que morreu aos 63 após sofrer um infarto em 2009, terão a ação discutida pelos encarregados de dividir a herança de mais de 4 milhões de dólares deixada após a sua morte, em dezembro. “Elas entraram com a ação de que são descendentes de Madiba e indicaram que não é um pedido financeiro”, disse Michael Katz, advogado dos responsáveis pelo testamento, segundo o jornal The Telegraph.

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Os boatos de que Mandela teve casos extraconjugais durante o seu primeiro casamento com Evelyn Mase circularam por anos na imprensa. Entre as décadas de 1940 e 1950, o ícone da luta contra o apartheid iniciava sua carreira como advogado e passava a organizar a luta contra a minoria branca que estava no poder na África do Sul. O matrimônio com Evelyn, que morreu em 2004, chegaria ao fim em 1958. Posteriormente, ela chegou a acusar Mandela de ser adúltero durante o relacionamento.

Ouvida pelo jornal sul-africano The Star, Onica afirmou que não tem interesse na herança de Mandela, mas gostaria de ser reconhecida como uma de suas filhas. “Eu sei que a família de Mandela sempre acreditou que eu era uma oportunista, porque queria dividir a herança. Isso não é verdade. Eu só quero que eles reconheçam Mandela como meu pai. Nenhuma quantia milionária pode comprar a identidade de uma pessoa. É muito importante para os meus filhos e netos saber quem eles são”, disse. Antes de morrer, Mpho tentou se encontrar com Mandela em 1998, após a sua avó dizer que o ex-presidente era seu pai. As tentativas, no entanto, foram em vão, de acordo com o jornal The Guardian.

A Fundação Nelson Mandela reconhece que o ícone sul-africano teve seis filhos, sendo que três morreram. Após disputas públicas pela herança de Mandela serem protagonizadas por seus familiares enquanto o ex-presidente ainda estava vivo, o anúncio do testamento determinou que, conforme a sua vontade, a quantia de 4,1 milhões de dólares (9,8 milhões de reais) será dividida entre parentes, o partido governista Congresso Nacional Africano (CNA) e outras instituições, incluindo escolas e universidades. A terceira mulher de Mandela, Graça Machel, tem direito à metade da herança, segundo a legislação, mas poderia abrir mão da fortuna e optar por bens específicos, incluindo propriedades em seu país de origem, Moçambique.