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Morte no Everest: ‘Você se importa se eu continuar?’

Marido deixa mulher para trás na escalada até o topo da montanha – e ela morre na descida

O australiano Robert Gropel estava prestes a alcançar o topo do Monte Everest com sua mulher, Maria Strydom, de 34 anos, quando ela se sentiu mal e achou que estava cansada demais para continuar. Neste ponto, o casal já estava a oito mil metros de altitude, em uma área conhecida como “zona da morte”. Por isso, os dois tomaram a decisão que pode ter custado a vida de Maria: Robert continuaria até o topo, enquanto ela esperava no local até que ele retornasse.

O que ambos não perceberam foi que a exaustão da mulher era, na verdade, um sintoma dos males da altitude, que foram agravados pelo tempo que ela permaneceu esperando sem procurar ajuda. No dia 21 de maio, Gropel chegou ao cume sozinho e quando o casal já estava descendo, Maria teve um colapso e faleceu nos braços do marido, contou ele à televisão australiana Channel 7.

“Eu perguntei: ‘Você se importa se eu continuar?’ e ela falou: ‘Continue, vou esperar por você aqui'”, disse Robert na entrevista à TV. “De onde estávamos o topo não parecia tão distante”. Logo que a descida iniciou, os dois perceberam que algo estava errado, uma vez que Maria começou a alucinar e ter dificuldades para caminhar, provavelmente resultado de um acidente vascular cerebral. Os efeitos da altitude costumam aparecer quando as pessoas têm dificuldade de adaptação aos baixos níveis de oxigênio. Normalmente, o resultado envolve dores de cabeça, náusea e tontura, porém, combinada com desidratação e esforço, a altitude pode causar um acúmulo letal de fluidos nos pulmões e no cérebro.

“Eu não queria me separar dela. Eu queria que ela continuasse”, explicou Gropel. “Quando cheguei ao topo do Everest, não foi especial para mim, porque ela não estava lá comigo”. O casal foi ajudado por um grupo de guias em alguns momentos e, em certo ponto, Robert chegou a dar uma injeção em Maria com medicamento para altitude, mas não era mais possível reverter o quadro. “Eu percebi que sua condição piorou, ela tinha períodos de lucidez e de alucinação”, disse o marido.

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De acordo com a rede BBC, o objetivo de Maria e Robert era escalar as montanhas mais altas em cada continente, um desafio conhecido como Sete Picos. Antes de iniciar a subida do Everest, Maria, que é vegana, disse que queria rebater comentários sobre a sua dieta. “As pessoas têm essa ideia de que veganos são malnutridos e fracos. Nós queremos provar que veganos podem fazer tudo e muito mais”, declarou em entrevista ao site da Monash Business School.

Agora, Gropel está focado em levar o corpo de Maria de volta à Austrália. “Eu sou seu marido e era meu papel protegê-la e trazê-la para casa, é natural que eu me culpe. Eu ainda não consigo ver fotos dela porque parte meu coração”, disse à TV.

Guias trouxeram o corpo da montanhista até um acampamento na última quarta-feira e um helicóptero de resgate o levou até o Kathmandu na sexta, informou ao jornal The Guardian o guia responsável pela expedição.

(Da redação)