Ministro líbio do Trabalho deserta nesta terça em Genebra

Kadafi também é pressionado em Trípoli, onde 25 explosões foram ouvidas

O ministro do Trabalho da Líbia, Al Amin Manfur, desertou nesta terça-feira, quando estava em Genebra para participar na Assembleia da Organização Internacional do Trabalho (OIT), informou à agência de notícias France-Presse a missão líbia na Organização das Nações Unidas (ONU). “Sim, confirmamos a deserção”, declarou uma representante. A notícia já havia sido divulgada pelo portal suíço Swissinfo.

No fim de maio, o embaixador da Líbia junto à União Europeia e aos países do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo), Hadeiba Alhadi, também anunciou que deixaria o cargo com todos os seus colaboradores. Tratou-se de um protesto contra a violenta repressão dos insurgentes contrários ao regime de Muamar Kadafi pelas tropas do governo.

Histórico – Esses não foram os primeiros membros do governo a abandonar Kadafi por causa da violência. O ministro de Petróleo da Líbia, Shokri Ghanem, deixou o regime, em 17 de maio, informaram os rebeldes líbios. A deserção teria ocorrido meses depois que o ministro das Relações Exteriores, Mussa Kussa, e o embaixador da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), Ali Abdussalm Trek, também abandonaram os seus cargos.

Em fevereiro, em uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos sobre a Líbia, os diplomatas da missão líbia desertaram em plena sessão, sob os aplausos dos membros da organização. Vários representantes internacionais estão reunidos na Assembleia da OIT, criada em 1919, e que encontrou uma nova legitimidade com a crise.

Explosões – Enquanto isso, a violência no país cresce. Pelo menos 25 explosões foram ouvidas em Trípoli nesta terça. Ataques aéreos da Otan também atingiram uma base militar e, segundo a TV estatal da Líbia, o complexo residencial de Muamar Kadafi. De acordo com a emissora, a residência do ditador estava sob “bombardeio contínuo intensivo”, e edifícios teriam sido destruídos.

Os ataques da Otan na capital líbia se multiplicaram nos últimos dias e o complexo de Bab Al-Azizia foi atacado em várias ocasiões desde o início das operações aliadas. A primeira explosão desta terça foi ouvida às 10h45 (hora local, 5h45 em Brasília) e as outras três imediatamente depois.

(Com agência EFE)