Ministro francês considera “preocupante” resultado de referendo na Suíça

Laurent Fabius diz que aprovação de cotas para imigrantes deve provocar revisão de acordos

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, considerou “preocupante” a iniciativa da Suíça de reintroduzir cotas para a entrada de imigrantes europeus no país. A medida foi aprovada em um referendo no domingo. Para o chanceler, a mudança obrigará a União Europeia a renegociar as relações com a Suíça. “É uma má notícia tanto para a Europa como para os suíços”, afirmou Fabius para a rádio RTL. A Suíça não é parte da União Europeia, mas sua política migratória se baseia na livre circulação de cidadãos no bloco econômico.

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O país tem aumentado sua cooperação com os 28 integrantes do bloco. Essa relação está baseada em cerca de cem acordos bilaterais, que poderiam resultar em potenciais retaliações da UE contra a Suíça. O chanceler francês lembrou que desde 1999 a União Europeia mantém com uma série de acordos com a Suíça, principalmente no setor trabalhista. Estes acordos terão de ser rediscutidos. “Há uma cláusula que diz que, se algum dos elementos for questionado, concretamente aqui o da livre circulação de trabalhadores, tudo deixa de valer. Isso quer dizer que terá que ser renegociado”, explicou o ministro. Fabius disse ainda que a decisão do referendo é paradoxal, “pois a Suíça realiza 60% de seu comércio exterior com a União Europeia”.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Wolfgang Schäuble, também criticou o resultado do referendo. “Nós lamentamos essa decisão. Ela vai causar muitas dificuldades para a Suíça”, disse o ministro à emissora ARD.

A mudança foi aprovada com uma estreita margem de 50,3% de votos favoráveis. Com o resultado da votação, o país deve voltar a limitar a entrada de cidadãos de nações da UE em seu mercado de trabalho mediante limites anuais que devem entrar em vigor nos próximos três anos. Proposta pelo partido de extrema direita União Democrática de Centro, a medida também restabelece o princípio de preferência pelo trabalhador nacional frente ao estrangeiro, que estava abolida para todos os cidadãos procedentes de algum dos países da UE.

Para muitas nações europeias, a questão da imigração tem trazido preocupações relacionadas aos programas de bem-estar social, que teriam de atender a um número cada vez maior de trabalhadores vindos de países mais pobres do continente. Partidos de extrema-direita com plataformas contrárias aos imigrantes têm ganhado força em países como a França, a Holanda e a Noruega.

Grã-Bretanha e Alemanha têm debatido a possibilidade de limitar o número de imigrantes vindos da Bulgária e da Romênia, que passaram este ano a ter total acesso ao mercado de trabalho da União Europeia. A entrada dos dois países no Espaço Schengen reavivou o racismo e a xenofobia. Teme-se que, além de búlgaros e romenos, hordas de turcos, curdos, sírios, afegãos e toda sorte de outras nacionalidades a leste infiltrem-se pelas fronteiras porosas das duas nações mais pobres da UE e adentrem o coração da Europa afluente.

Na Suíça, a decisão reflete também a crescente preocupação da população de que os imigrantes estejam erodindo a cultura do país e contribuindo para a elevação dos aluguéis e o aumento da criminalidade. Os estrangeiros compõem 23% da população de 8 milhões, índice que, na Europa, só é inferior ao de Luxemburgo.

(Com agências EFE e Reuters)