Ministra das Relações Exteriores francesa renuncia

Ela foi duramente criticada por seus vínculos com empresários próximos ao ex-ditador tunisiano Ben Ali em meio às revoltas que derrubaram o regime

A ministra francesa das Relações Exteriores, Michèle Alliot-Marie, anunciou neste domingo sua renúncia ao cargo, em uma carta na qual afirma que não cometeu “nenhuma falta”, e em que se defende de uma “campanha de ataques políticos e midiáticos”. Suas polêmicas férias de Natal em Túnis, em meio às revoltas populares que derrubaram o regime autoritário de Ben Ali, seus vínculos com empresários próximos ao ex-ditador tunisiano e os negócios que seus pais concluíram recentemente, estão no foco das críticas contra Alliot-Marie. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou que o atual ministro da Defesa, Alain Juppé, será o novo titular de Exteriores.

“Apesar de sentir que não cometi nenhuma falta, decidi abandonar minhas funções como ministra de Relações Exteriores”, afirmou a ministra na carta dirigida ao presidente francês, Nicolas Sarkozy. No texto, Alliot-Marie, 65 anos, defendeu-se da “campanha de ataques políticos e midiáticos” da qual é alvo “há semanas” com o objetivo de “criar suspeitas e amálgamas”. “Há 15 dias, minha família sofre por parte de alguns meios de comunicação de um verdadeiro acosso em minha vida privada, para tentar encontrar algo para me fragilizar”, acrescentou ela.

Remodelação ministerial – Com a saída da até agora chefe da diplomacia francesa, Sarkozy aproveitou para realizar uma pequena remodelação ministerial, com Gérard Longuet – líder da União por um Movimento Popular (UMP), partido de Sarkozy, no Senado – à frente da Defesa. Já o Ministério do Interior, ocupado até agora por Brice Hortefeux, ficará nas mãos do secretário-geral da Presidência, Claude Guéant.

As mudanças foram anunciadas depois que aumentaram nas últimas semanas as críticas contra a política externa francesa por sua gestão perante às revoltas dos países islâmicos. A medida é interpretada pela imprensa internacional como um reforço do Executivo diante da aproximação das eleições presidenciais de 2012.

(Com agência France-Presse)