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Michele Bachmann e o legado de Sarah Palin

Macarena Vidal.

Washington, 30 dez (EFE).- O sucesso da ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, como ícone conservador republicano criou uma escola da qual a congressista e pré-candidata presidencial Michelle Bachmann é uma das mais destacadas expoentes.

Se há quatro anos Palin concorreu à Vice-Presidência dos Estados Unidos com uma limitada bagagem de Governo, mas uma enorme confiança em si mesma, uma boa imagem diante da câmera e uma grande capacidade para conectar-se com seus eleitores; Bachmann, igualmente segura de suas convicções, vai além e aposta diretamente na Presidência.

Com 55 anos, esta especialista em Direito Fiscal é a única mulher a participar das primárias republicanas com uma proposta que combina um conservadorismo social muito taxativo, um cristianismo fervente e duras críticas contra a carga fiscal.

Sua retórica populista em favor de um Governo com menor número de competências possíveis a transformou em um dos símbolos da corrente direitista Tea Party, que ainda tenta aceitar a ideia que Palin, sua grande porta-bandeira, não concorrerá às eleições.

Fotogênica e apaixonada por suas crenças, o Tea Party a lançou aos primeiros postos nas pesquisas do meio do ano para esfriar seu entusiasmo poucas semanas mais tarde, em benefício de outro decidido conservador, o governador do Texas, Rick Perry, que por sua vez perdeu sua posição de favorito para Herman Cain e depois para Newt Gingrich.

Desde então, Bachmann perdeu as forças nas enquetes, sem superar a barreira dos 10%, apesar de nas últimas semanas a manifesta paixão que demonstrou nos debates republicanos ter lhe proporcionado novas simpatias, principalmente entre as mulheres, e poderia provocar uma surpresa de última hora.

A congressista, que ganhou fama por suas críticas aos democratas em entrevistas de televisão durante a campanha eleitoral de 2008, nasceu na cidade de Waterloo, em Iowa, no norte dos EUA, em 1956, filha de pais de ascendência norueguesa e orientação política democrata.

Após o divórcio de seus pais, mudou-se com sua mãe e irmãos para Minnesota, onde aos 16 anos redescobriu o cristianismo.

Após graduar-se em Direito em Oklahoma, em 1978 casou-se com Marcus Bachmann, um terapeuta que conheceu na universidade e com quem teve cinco filhos: Lucas, Harrison, Elisa, Caroline e Sophia.

Especializou-se em Direito Fiscal na Universidade de William and Mary, na Virgínia, e trabalhou para o Fisco dos Estados Unidos entre 1988 e 1993, quando, após ter seu quarto filho, abandonou a vida profissional para se dedicar à família.

Além de seus filhos biológicos, os Bachmann foram ao longo dos anos ‘pais temporários’ de outras 23 adolescentes à espera de um lar definitivo, algo que a congressista menciona com frequência em seus comícios.

Inicialmente democrata, sua oposição ao aborto e sua decepção com a política econômica de Jimmy Carter a levaram ao outro lado da barreira política e em 1980 já colaborava na campanha de Ronald Reagan.

Porém, não entrou na política seriamente até o final dos anos 1990, quando se apresentou – e perdeu – como republicana às eleições para a Junta Escolar de seu distrito.

Apesar disso, em 2000 ganhou uma cadeira no Senado de Minnesota, que manteria até seu triunfo eleitoral no Congresso americano no pleito de 2006.

Como congressista caracterizou-se por um apoio incondicional à ala mais conservadora do Partido Republicano e uma crítica incansável ao presidente Barack Obama.

Em seus discursos cometeu erros como assegurar que os fundadores dos EUA lutaram contra a escravidão, quando a maioria deles tinha escravos, ou que o estado de New Hampshire foi o berço da independência do país.

No entanto, nos últimos tempos mostrou-se muito mais segura em suas exposições, mais clara em seus apontamentos e mais rápida e contundente em suas respostas.

Talvez não vença estas primárias, um feito que hoje parece impossível. Mas está claro que Michelle Bachmann terá uma longa carreira política pela frente. EFE