Manifestantes jogam gasolina e ameaçam jornalistas em Caracas

As manifestações desta segunda contra a Assembleia Constituinte convocada por Maduro terminaram mais uma vez em confrontos em Caracas e em outras cidades

Durante mais um dia de protestos na Venezuela, uma equipe de jornalistas do canal de TV Globovisión foi cercada por manifestantes violentos que jogaram gasolina no grupo e ameaçaram atear fogo caso não se retirasse. O episódio aconteceu na capital, Caracas, nesta segunda-feira, e foi denunciado pelo principal sindicato da imprensa do país.

“Manifestantes opositores em Chacaito (leste de Caracas) jogaram gasolina na equipe da Globovisión”, denunciou o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP), que contabilizou 19 jornalistas agredidos nesta segunda-feira por civis, militares e policiais. O site da Globovisión confirmou que “um grupo de encapuzados jogou gasolina no aparato de transmissão e nos funcionários” (do canal), obrigando-os a “sair do local”. “Os sujeitos expressaram sua intenção de queimar a equipe”, acrescentou o site.

Os opositores acusam a Globovisión e outros canais de TV de silenciar sobre os protestos e proteger o presidente Nicolás Maduro, situação que o SNTP atribui a “um regime de censura e autocensura” imposto pelo governo.

O repórter da emissora, Bernardo Luzardo, também denunciou a agressão em seu Twitter. “Desprezamos a ação, o nosso compromisso permanece sendo a informação”, escreveu.

Os protestos continuam

As manifestações desta segunda contra a Assembleia Constituinte convocada por Maduro terminaram mais uma vez em confrontos em Caracas e em outras cidades do país. Na capital, as tropas de choque voltaram a usar bombas de gás lacrimogêneo para reprimir as marchas de milhares de opositores que queriam chegar ao centro da cidade.

Jovens manifestantes encapuzados responderam com pedras e coquetéis molotov às forças de segurança, em confrontos registrados em várias regiões do leste de Caracas e que perduraram no fim da tarde perto da base militar La Carlota.

Também foram reportados enfrentamentos nos estados de Mérida, Lara e Zulia (oeste). Na capital deste último, Maracaibo, bombas de gás atingiram, inclusive, uma escola. Em Mérida, dois civis e um policial foram baleados durante os protestos. A onda de protestos que já dura quase 40 dias deixou 36 mortos.

(Com AFP)

Comentários

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  1. Roberto T. Crespilho

    guerra civil a vista.

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  2. Retrato do Brasil caso não tivéssemos nos livrado da estocadora de vento. Mas a batalha ainda está longe da vitória…

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