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Malvinas organizarão referendo sobre status político em 2013

As Ilhas Malvinas organizarão um referendo sobre seu status político em 2013 para demonstrar ao mundo que a população deste arquipélago quer continuar sendo britânica e “não tem nenhum desejo” de ser governada pela Argentina, anunciou oficialmente a administração das ilhas nesta terça-feira.

“Não tenho dúvida alguma de que os moradores das Falklands (denominação britânica para as Malvinas) desejam que as ilhas continuem sendo um território de ultramar do Reino Unido autogovernado. Não temos nenhum desejo de ser governados pelo governo de Buenos Aires, um fato que é imediatamente óbvio para qualquer um que tenha visitado as ilhas e escutado nossas opiniões”, declarou Gavin Short, presidente da Assembleia Legislativa das ilhas em um comunicado.

O anúncio é feito a apenas dois dias do 30º aniversário do fim da curta e sangrenta guerra entre o Reino Unido e a Argentina pela soberania do arquipélago do Atlântico Sul, sob controle britânico desde 1833, mas reivindicado pela Argentina em todos os fóruns internacionais.

“Realizamos este referendo não porque tenhamos qualquer dúvida de quem somos e de que futuro queremos, mas para mostrar ao mundo o quão seguros estamos sobre isto”, acrescentou Short, em meio a uma forte escalada verbal e de exigências argentinas pela exploração de possíveis recursos petroleiros na região.

O presidente da assembleia malvinense, que disse falar em nome de seus oito membros, acusou o governo argentino de empregar uma “retórica enganosa” por sustentar que os malvinenses carecem de “opiniões firmes” ou que são “reféns das forças armadas britânicas”.

O comunicado informa que a consulta popular, que tem o “pleno apoio” do Reino Unido, será realizada “na primeira metade de 2013” na presença de “observadores internacionais independentes”, e afirma que “nas próximas semanas” será anunciada a pergunta concreta que será feita aos moradores da ilha, além de outros detalhes.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, classificou de “absolutamente correta” a iniciativa do governo das ilhas e afirmou que o Reino Unido “respeitará e defenderá” o veredicto das urnas, convocando a comunidade internacional a seguir seu exemplo.

“Esperamos que todos os membros da ONU estejam à altura de suas responsabilidades sob a Carta das Nações Unidas e aceitem a decisão dos ilhéus sobre como querem viver”, acrescentou o primeiro-ministro.

O secretário de Estado das Relações Exteriores para a América Latina, Jeremy Browne, que chegou na véspera ao arquipélago para participar da comemoração oficial do fim da guerra, também considerou o referendo um “momento verdadeiramente significativo” que dará aos 3.000 habitantes das ilhas a oportunidade de “enviar uma mensagem clara, não apenas à Argentina, mas a toda a comunidade internacional” de que são “donos de seu destino”.

Na quinta-feira serão completados 30 anos do fim do conflito que de 2 de abril a 14 de junho de 1982 deixou 649 argentinos, 255 britânicos e três ilhéus mortos.

A presidente argentina Cristina Kirchner renovará neste dia a reivindicação de soberania, em uma intervenção excepcional perante o Comitê de Descolonização da ONU em Nova York, no qual o Reino Unido não terá representação governamental.