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Mais de 100 mortos em 48 horas a oeste da capital

No mesmo dia, mais de 1.000 pessoas fugiram da cidade de Misrata pelo mar

As forças leais ao ditador Muamar Kadafi atacam de forma intensa a região de Al-Jabal Al-Gharbi, sob controle dos rebeldes, e já mataram mais de 100 pessoas nas últimas 48 horas. Os bombardeios com foguetes Grad atingiram, principalmente, as localidades de Yefren e Nalut. No mesmo dia, mais de 1.000 pessoas fugiram da cidade de Misrata pelo mar.

A embarcação fretada retirou cerca de mil trabalhadores estrangeiros e líbios feridos da cidade, que agora se tornou o símbolo da luta contra o governo. “Queríamos poder levar mais pessoas, mas não foi possível”, disse Jeremy Haslam, que liderou a missão de resgate da Organização Internacional para as Migrações (OIM). “Embora a troca de disparos tenha cessado enquanto embarcávamos, tivemos um tempo muito limitado para colocar as pessoas a bordo do navio e partir.”

O navio Ionian Spirit saiu de Misrata levando em sua maioria imigrantes fracos e desidratados originários principalmente de Gana, das Filipinas e da Ucrânia com destino à cidade de Bengasi, o bastião rebelde no leste da Líbia. Foi a segunda embarcação fretada pela OIM, que retirou quase 1.200 migrantes de Misrata na última sexta-feira.

Cidades – Um porta-voz dos rebeldes disse que quatro civis morreram e cinco ficaram feridos pelo fogo de artilharia do governo, que bombardeou Misrata pelo quinto dia seguido nesta segunda-feira. Terceira maior cidade da Líbia, Misrata é o principal reduto dos rebeldes no oeste e está sob o cerco das forças pró-Kadafi há sete semanas. As pessoas que deixaram a cidade dizem que as condições no local estão se tornando cada vez mais desesperadoras e estima-se que centenas de civis morreram.

As forças pró-Kadafi também mantiveram uma ofensiva contra o posto avançado de Ajdabiyah, no leste, que os rebeldes pretendem usar para retomar o controle sobre o porto de Brega, 80 quilômetros a oeste. Apesar dos ataques aéreos da Otan contra o Exército do ditador, os rebeldes não têm conseguido reter os êxitos em semanas de confrontos que vão e vêm nas cidades costeiras do leste da Líbia.

Filho de Kadafi – Seif al Islam, considerado até agora o sucessor de Kadafi, afirmou que o regime de Trípoli não cometeu nenhum crime contra seus cidadãos e que não está matando civis, mas perseguindo “terroristas”. Em entrevista exclusiva concedida ao jornal The Washington Post, Seif manteve o tom desafiador que marcou as declarações da família desde que começaram os protestos na Líbia há mais de dois meses.

Perguntado sobre se ocorreram erros e as forças de Trípoli atiraram contra cidadãos líbios, o filho de Kadafi admitiu que pode ter atingido civis por acidente, mas “nunca houve nenhuma intenção de matá-los”.

(Com agências France-Presse, Reuters e EFE)