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Mães de desaparecidos exigem justiça ao governo no México

México, 10 mai (EFE).- Centenas de mães e parentes de desaparecidos marcharam nesta quinta-feira pela Cidade do México para exigir justiça ao governo e o fim da violência no país e para afirmar que, enquanto seus filhos estiverem em paradeiro desconhecido, não têm motivos para comemorar o Dia das Mães.

Procedentes de diferentes estados, os integrantes da chamada ‘Caravana da dignidade nacional: mães buscando suas filhas e filhos e buscando justiça’ percorreram a Calçada da Reforma, uma das mais importantes da cidade, ao grito unânime de ‘vivos foram levados, vivos os queremos’.

Com mensagens e fotos dos desaparecidos em cartazes, camisetas ou adesivos, a caravana exigiu às autoridades federais e estaduais que trabalhem para esclarecer os casos e que não haja ‘nem mais um desaparecido’.

No emblemático monumento do Ángel de la Independencia, onde terminou a passeata, os organizadores reivindicaram um programa urgente de busca dos desaparecidos, a criação de um censo nacional de casos e uma subprocuradoria especial para pessoas desaparecidas em nível federal.

Além disso, pediram o desenvolvimento de um protocolo de investigação homologado a toda a república, um programa federal de atendimento aos parentes de desaparecidas e a aceitação de todas as recomendações do relatório do grupo de trabalho da ONU para desaparecimentos forçados.

‘Queremos tornar patente que esta luta não é unicamente por nossos filhos, mas também por seus filhos, filhas e cônjuges, para que nunca volte a acontecer esta tragédia a nosso país’, assinalaram.

Após tanta dor e sofrimento, merecemos ‘um México em paz onde todos e todas vivamos com dignidade’, disseram os organizadores.

A Anistia Internacional (AI) se solidarizou nesta quinta-feira com as mães dos desaparecidos e pediram ao governo mexicano que instaure ‘um mecanismo de busca imediata’ de pessoas desaparecidas, assim como ‘a investigação eficaz e o atendimento integral para os parentes de desaparecidas’.

Dados extraoficiais indicam que mais de 10 mil pessoas teriam desaparecido no México durante o mandato de Felipe Calderón (2006-2012), que lançou uma estratégia de combate frontal ao crime organizado, mas o plano não foi capaz de reduzir uma onda de violência que já deixou cerca de 50 mil mortos. EFE