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Maduro ameaça tirar CNN do ar na Venezuela

Dando continuidade ao cerco à imprensa, mandatário diz que rede americana faz ‘propaganda de guerra’ ao transmitir os protestos contra seu governo

O presidente venezuelano Nicolás Maduro ameaçou cortar o sinal da rede americana CNN, que tem transmitido os protestos dos últimos dias em Caracas. Ele ordenou o Ministério da Comunicação e Informação a notificar a rede sobre a abertura de um processo administrativo para retirar o canal das operadoras de TV a cabo venezuelanas.

“Se não se retificarem, que saiam da Venezuela. Não aceito propaganda de guerra”, disse, em pronunciamento transmitido em cadeia de rádio e televisão. “As 24 horas do dia a programação é de guerra. Querem mostrar ao mundo que a Venezuela é uma guerra civil. Na Venezuela, o povo está trabalhando, estudando, construindo a pátria”, acrescentou, segundo o jornal El Nacional.

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Maduro tenta desmentir o que ocorre nas ruas de diversas cidades do país desde a última semana, quando se intensificaram os protestos contra seu governo. No último dia 12, o governo acionou o aparato repressor para atacar estudantes que se manifestavam pacificamente contra a insegurança, a inflação, a escassez de produtos e a prisão de colegas durante manifestações anteriores. .

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Com o prosseguimento das manifestações, aumentou a repressão por parte dos grupos armados do chavismo, os chamados colectivos, e por policiais. O cerco a emissoras de TV e jornais fez com que as redes sociais passassem a ser principal fonte de informações do que ocorre no país. A imprensa, já sufocada pela escassez de papel, começou a sofrer ameaças diretas. Até sites de notícias considerados independentes passaram a praticar a autocensura. No dia 12, o canal de televisão colombiano NTN24 foi acusado de tirar a tranquilidade da população e teve o sinal de transmissão cortado. A emissora agora transmite informações pelo YouTube e pelo Twitter.