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Líder islâmico chega à Tunísia depois de 22 anos de exílio

O grande temor do Ocidente é que o país seja dominado por fundamentalistas, após a queda de Ben Ali

O líder do principal movimento islâmico da Tunísia, Rachid Ghannouchi, retornou ao país neste domingo depois de 22 anos de exílio. Ele vivia em Londres desde que foi expulso pelo presidente Zine al-Abdine Ben Ali, cujo governo foi derrubado em 14 de janeiro após várias semanas de protestos populares. O grande temor dos países democráticos do Ocidente é que o vácuo político deixado pela queda do ditador seja preenchido por um regime ainda pior, dominado por fundamentalistas islâmicos.

Mais de 1.000 pessoas foram ao principal aeroporto da Tunísia dar as boas-vindas a Ghannouchi. O muçulmano, de 69 anos, disse que o partido político islâmico Ennahda pretende trabalhar “pelo levante popular que derrubou Ben Ali”.

Os islamitas eram a maior força de oposição na Tunísia quando o ex-ditador os perseguiu há duas décadas, mas não tiveram um papel importante na atual revolta popular. Contudo, neste momento, especialistas dizem que eles podem ressurgir como a força política predominante.

“O mundo muçulmano não vai se render,” gritava a multidão, formada predominantemente por jovens do sexo masculino. A segurança do aeroporto teve dificuldades em conter o grupo, que tomou conta do estacionamento.

Movimento islâmico – O Ennahda, cuja ideologia é semelhante à do partido da situação na Turquia, o AK, afirma que está comprometido com a democracia. Especialistas dizem que suas ideias estão entre as mais moderadas dos grupos islâmicos existentes. Ainda assim, a possibilidade de um regime islâmico ocupar o atual vácuo político na Tunísia provoca um enorme receio nos governos ocidentais.

“Não ao extremismo, sim ao islã moderado!” e “Não ao medo do Islã!” eram algumas das frases lidas em faixas carregadas pelos partidários de Ghannouchi no aeroporto. Um grupo de mulheres ficou de prontidão para presenteá-lo com flores. “Não queremos um Estado islâmico, queremos um Estado democrático,” afirmou Mohammed Habasi, um partidário do Ennahda. “Sofremos muito com a falta de democracia”, disse.

Histórico – A Tunísia impôs um regime secular quando se tornou independente da França, em 1956. Habib Bourguiba, líder da independência e que foi presidente por muito tempo, considerava o Islã uma ameaça ao Estado. Ben Ali aliviou as restrições aos islamitas quando tomou o poder, em 1987, antes de persegui-los dois anos depois.

Os protestos na Tunísia, que agitaram o mundo árabe e inspiraram os egípcios a tomar as ruas, acalmaram-se nos últimos dias. A aparente trégua ocorre após o anúncio de um novo governo interino, que retirou do poder a maioria dos remanescentes do regime de Ben Ali.

(Com agência Reuters)