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Líbia: Parlamento em Tobruk rejeita novo governo de união nacional

O reconhecimento de um Executivo de união é condição necessária para o início das negociações de paz na região

O parlamento líbio em Tobruk votou nesta segunda-feira contra o novo governo de união nacional, proposto na terça-feira passada pelo número um do conselho presidencial designado pela Organização das Nações Unidas (ONU), Mohamad Fayez al Sarraj. Issa al Aribi, membro dessa câmara, disse que 89 dos 104 deputados presentes se negaram a reconhecer o Executivo de união, condição necessária para o início das negociações de paz e para o recebimento da ajuda prometida pela comunidade internacional.

Aribi explicou que Akila Saleh, presidente da Assembleia Legislativa, pediu ao representante de Tobruk no conselho que designou o gabinete, Ali al Katrani, e ao seu colega Omar ao Aswad, ambos contrários ao governo, para participarem da votação. “Os membros do Conselho de Deputados mostraram sua rejeição à formação do governo de Al Sarraj” e pediram outro projeto, disse Aribi.

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O governo, distribuído entre as três principais províncias do país, foi nomeado há uma semana por Sarraj, o homem eleito pela ONU para dirigir o chamado conselho presidencial, que também não foi respaldado por nenhum dos governos rivais na Líbia.

Logo após saber da composição do conselho, representantes do Executivo em Trípoli advertiram que não estavam dispostos a reconhecer sua autoridade.

A Líbia está em guerra civil desde o fim, em 2011, da ditadura de Muammar Kadafi. Desde as eleições de 2012, o poder está dividido entre Tobruk e Trípoli. Grupos jihadistas vinculados ao Estado Islâmico (EI) e à organização da Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), aproveitaram esse cenário caótico para ganhar terreno e estender sua influência para o restante do norte da África.

As disputas sobre a legitimidade do governo de união nacional acontecem paralelamente a uma ofensiva jihadista, lançada há duas semanas pelo EI, para tomar o controle dos portos petroleiros de Sidra e Ras Lanuf, os mais importantes do país.

(Com EFE)