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Líbia: Muamar Kadafi diz que nunca deixará o poder

'Serei um mártir ao fim de tudo isso', disse, em pronunciamento à TV estatal

“Essa juventude está sendo manipulada por outros governos. Esse pequeno grupo de jovens está sendo influenciado por todo esse movimento no Oriente Médio, mas eles não representam toda a população”

O ditador líbio, Muamar Kadafi, afirmou nesta terça-feira que nunca deixará o poder. “Serei um mártir ao fim de tudo isso”, declarou ele, em pronunciamento transmitido ao vivo pela TV estatal. “Muamar Kadafi é o líder da revolução. Muamar Kadafi não tem nenhum posto oficial ao qual renunciar. Ele é o líder da revolução para sempre.” Agitando muito os braços e apontando sempre o dedo para o alto, gritou: “Este é meu país, meu país”.

Sem reconhecer o levante dos manifestantes que exigem sua saída do cargo que ocupa há 42 anos, ele enfatizou que lutará até a última gota de seu sangue e pediu aos líbios que “o amem” e que enfrentem a partir deste noite “os ratos que semeiam os distúrbios” no país. “Essa juventude está sendo manipulada por outros governos. Esse pequeno grupo de jovens está sendo influenciado por todo esse movimento no Oriente Médio, mas eles não representam toda a população”, disse, em um discurso aparentemente improvisado. Ele ainda afirmou que os manifestantes agem sob influência de “drogas alucinógenas” e que estão “servindo ao diabo”.

O coronel elogiou os apoiadores do regime dizendo que eles representam a “verdadeira imagem da Líbia” e disse que os opositores “envergonham” a nação ao agirem “contra o seu país e suas famílias”. Ele afirmou também que a Líbia é um país para se ter orgulho. “Todas as nações africanas olham para a Líbia, todos os governantes do mundo olham para a Líbia”, exclamou.

Repressão – Kadafi voltou a dizer que, se necessário, usará a violência para reprimir os protestos. “Se o caso exigir, vamos usar a força, segundo o direito internacional e a constituição da Líbia”. Em tom ameaçador, ainda declarou que “aqueles que levarem a Líbia a uma guerra civil ou tirarem a unidade do país serão condenados à execução”.

Na noite de segunda-feira, Kadafi já havia feito uma breve aparição ao vivo na TV estatal, quando aproveitou para atacar a mídia ocidental, criticando os boatos de que teria fugido. “Vou ver os jovens na Praça Verde. Só para mostrar que estou em Trípoli e não na Venezuela, e desmentir as televisões, essas cadelas.”

Apesar dos pronunciamentos, a estabilidade de Kadafi parece estar em risco. Além dos protestos, ele já perdeu o apoio de vários integrantes do governo, que seguem renunciando a seus cargos em massa, como fez o embaixador do país nos Estados Unidos nesta terça.