Kerry: a solução de dois Estados ‘está em sério risco’

"Nós não podemos, em sã consciência, não fazer nada, e não dizer nada, quando vemos a esperança de paz desvanecer", disse o secretário de Estado dos EUA

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano não vai “defender uma dinâmica perigosa” e que continuará a sugerir uma “solução de dois Estados” como “única forma” de se alcançar a paz no conflito entre Israel e Palestina. Kerry ressaltou que “apesar de nossos melhores esforços ao longo dos anos, a solução de dois estados está agora em grave perigo. Nós não podemos, em sã consciência, não fazer nada, e não dizer nada, quando vemos a esperança de paz desvanecer”.

Kerry explicou em discurso no Departamento de Estado a decisão dos EUA de não exercerem o poder de veto na votação de sexta-feira passada no Conselho de Segurança da ONU que exigiu de Israel o fim da política de assentamentos nos territórios palestinos. “Esse voto tinha o objetivo de defender a solução de dois Estados”, disse Kerry, cujo governo já protegeu Israel de resoluções parecidas com a que foi aprovada na sexta-feira, apesar de se opor à política de estabelecer novas colônias nos territórios palestinos.

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A decisão de não usar o veto na votação foi adotada “de acordo com nossos valores”, afirmou o secretário de Estado sobre a resolução, que foi aprovada com 14 votos a favor e a única abstenção dos Estados Unidos. Kerry também criticou o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que classificou como o mais inclinado à direita da história do país e com uma “agenda impulsionada pelos elementos mais extremistas”.

“A ampliação dos assentamentos não tem nada a ver com a segurança de Israel”, afirmou taxativamente Kerry, que reconheceu, no entanto, que os assentamentos não são “o principal motivo” do conflito, mas que entorpecem uma possível solução. “Não podemos ignorar as aspirações palestinas”, acrescentou, para ressaltar que “ninguém que esteja seriamente comprometido com a paz pode ignorar as consequências” de estabelecer novos assentamentos.

“A solução de dois Estados é a única para a região que pode garantir o futuro de Israel e a dignidade dos palestinos”, comentou o secretário de Estado americano, ao advertir que esse caminho está em “grave perigo”.

(Com agências EFE e Reuters)

Comentários

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  1. Freitas Luiz

    A maioria dos ditos Judeus que migraram para Israel, nada tinham com a aquela terra, a maioria é de europeus, não são originarios daquela terra, são invasores como fizeram em várias partes do mundo. Não são o povo escolhido e sim uma fraude.

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  2. Rui Lourenço

    Pura utopia. Os árabes e mais especificamente os muçulmanos, nunca aceitarão a existência do Estado de Israel. Para eles Israel não tem o direito de existir. A decisão dos EUA veio fortalecer o radicalismo árabe, enfraquecendo o radicalismo judeu. Apenas não podemos perder de vista o seguinte: para os muçulmanos, todos nós, ocidentais, somos infiéis. Todos nós somos indesejáveis. Fortalecê-los certamente será a pior solução…

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