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Justiça paulista reabre caso Celso Daniel

São Paulo, 10 mai (EFE).- A Justiça de São Paulo reabriu nesta quinta-feira o processo que investiga o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel (PT), ocorrido em 2002, atribuído a criminosos comuns, embora sua família acuse motivos de corrupção.

Essa segunda hipótese foi respaldada na reabertura do processo pelo promotor Marcio Friggi, que pediu que os três primeiros réus julgados nesta quinta-feira sejam condenados por ‘crime político’.

Daniel foi sequestrado em janeiro de 2002 quando era prefeito de Santo André (SP) e acabava de ser nomeado coordenador da campanha eleitoral que meses depois levaria Luiz Inácio Lula da Silva ao poder pela primeira vez.

Os sequestradores nunca fizeram contato com a família. Dois dias após o desaparecimento do então prefeito, seu corpo foi encontrado em uma estrada, com marcas de 11 tiros e, segundo algumas versões, com sinais de tortura.

A polícia e o próprio PT atribuíram o caso a crime comum, mas familiares de Daniel denunciaram em 2005 que Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete do presidente Lula, havia lhes confessado que o prefeito tinha sido vítima de uma rede de corrupção do PT, que em parte servia também para financiar a campanha eleitoral.

Carvalho, hoje ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do governo Dilma Rousseff, sempre negou essa versão, que o promotor, no entanto, reiterou nesta quinta-feira em suas declarações ao júri no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

Segundo Friggi, Daniel foi assassinado ‘por saber demais’ e porque tinha descoberto que dirigentes do PT ficavam com parte do dinheiro da rede de corrupção, quando devia ser destinado a financiar a campanha.

De acordo com essa tese, defendida por familiares de Daniel, o prefeito estava disposto a denunciar a rede de corrupção, o que teria motivado seu assassinato.

O promotor lembrou ainda que, após a morte de Daniel, seis pessoas vinculadas de alguma forma com o crime foram assassinadas, entre elas o garçom que o atendeu em um restaurante durante seu último jantar, junto a seu chefe de segurança, Sérgio Gomes, conhecido como ‘Sombra’, suspeito de ser o mandante do crime.

Gomes é um dos réus, mas não foi incluído na audiência que começou nesta quinta-feira, que julgou somente três dos suspeitos: Ivan Rodrigues da Silva, o ‘Monstro’; Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o ‘Bozinho’; e José Edison da Silva.

Os três réus julgados nesta quinta-feira negaram participação no incidente, mas todos acusaram o advogado e ex-deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalgh de pressioná-los para que se declarassem culpados.

Quando foi detido e acusado do crime em 2002, Ivan Rodrigues da Silva disse que Greenhalgh se apresentou como seu advogado e lhe pediu para assinar papéis que nem sequer pôde ler e que eram, na verdade, uma confissão.

Os outros dois réus apresentaram versões parecidas e disseram ter sido torturados pela polícia para que confessassem sua suposta participação no sequestro e assassinato de Daniel.

Após conhecer as declarações desta quinta-feira, Greenhalgh desmentiu os três réus em comunicado, no qual nega ter exercido pressões. Ele admite, no entanto, que esteve presente nos interrogatórios na qualidade de advogado do PT.

‘Estão tentando politizar o caso’, exclamou Greenhalgh, para quem se busca acusar o PT por um crime que a própria polícia provou ter sido cometido por criminosos comuns.

Segundo as previsões do tribunal, o julgamento deverá concluir nesta sexta-feira, após o depoimento de todas as testemunhas. EFE