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Itália estuda intervir judicialmente por extradição de Battisti

Ao lado de Aloysio Nunes, chanceler italiano diz que país europeu se compromete a comutar prisão perpétua de Battisti por condenação a 30 anos de prisão

A Itália analisa como agir ante a Justiça do Brasil para obter a extradição de Cesare Battisti, ex-militante de extrema esquerda condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios, indicou à imprensa nesta segunda-feira o chanceler italiano, Angelino Alfano.

“Estamos estudando se podemos dar nossa opinião no julgamento, se poderemos intervir nesse caso para respaldar nosso pedido de extradição de maneira que Battisti cumpra sua condenação na Itália”, afirmou Alfano em coletiva em Roma ao lado do chanceler brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira.

“Para nós, é um tema sensível devido aos crimes atrozes cometidos, e também pela falta de arrependimento de Battisti”, acrescentou o italiano.

Nunes explicou que o governo espera uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Battisti. Ele, que se negou a dar sua posição pessoal sobre o caso, considerou como algo “positivo” a possibilidade de que a Itália intervenha com uma figura judicial. “Conheço bem a Itália, estive exilado na França durante a ditadura. Sei como agiram os grupos armados. Não dou opiniões pessoais sobre isso”, acrescentou o brasileiro.

O chanceler italiano detalhou que a Itália entregou, através dos canais diplomáticos, uma declaração na qual se compromete a comutar a sentença de prisão perpétua imposta a Battisti em uma condenação de 30 anos de prisão, a pena máxima no Brasil, de maneira que a “extradição seja compatível”.

O caso Battisti

Cesare Battisti, de 62 anos, foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios executados na década de 1970, mas passou cerca de 30 anos foragido entre México e França, onde desenvolveu uma bem-sucedida carreira como escritor de romances policiais. Ele fugiu para o Brasil em 2004 e teme perder a proteção concedida em 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que negou sua extradição, apesar de a medida ter sido autorizada pelo STF.

A situação de Battisti voltou a ficar delicada no início de outubro, quando a Polícia Federal o prendeu em Mato Grosso do Sul antes que ele cruzasse a fronteira com a Bolívia. O italiano estava com 6.000 dólares e 1.300 euros. Cesare Battisti foi solto dois dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF-3).

Em entrevistas recentes, Battisti reconheceu que é “culpado de ter participado de uma organização armada e tomado uma posição contra o Estado fascista, mafioso e ladrão”, mas afirmou que os crimes pelos quais foi condenado à revelia “quando estava no México têm que ser provados”, reiterando que “não há indícios de culpa”.