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Israel defende ataque e diz que críticas são “hipócritas”

Em transmissão pela televisão israelense nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, defendeu a operação de segunda-feira contra um comboio que levava suprimentos a Gaza, em que nove ativistas foram mortos, e definiu como “hipócritas” as críticas da comunidade internacional. Em entrevista a repórteres, reconheceu a pressão da comunidade internacional sobre o país: “É verdade, há uma pressão internacional e críticas sobre nossa política. Mas é preciso compreender que ela é vital para preservar a segurança de Israel e seu direito de se defender”.

Netanyahu afirma que continuará o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, sob a justificativa de que suspender o embargo transformaria o território em base para mísseis iranianos que ameaçariam Israel e a Europa. Os ativistas que integravam a frota de seis barcos que tentou furar o bloqueio a Gaza na última segunda-feira foram expulsos nesta quarta-feira.

O processo de deportação foi acelerado após a decisão do gabinete de segurança israelense de mandar todos para seus países em 48 horas, incluindo duas dezenas de ativistas que o país ameaçava reter e processar. A maioria dos países de origem dos passageiros da “flotilha da liberdade” pediu a sua libertação imediata. No início da tarde desta quarta-feira, mais da metade dos 682 militantes, originários de 42 países, já haviam sido expulsos.

Segundo o porta-voz da administração penitenciária israelense, Yaron Zamir, apenas um dos prisioneiros está atualmente na prisão. “102 passageiros estão a caminho do aeroporto para serem repatriados”, disse. Cerca de 125 outros militantes expulsos por Israel foram levados para a Jordânia pelo posto fronteiriço da ponte Allenby.

Pressão – Intensificam-se os apelos da comunidade internacional por uma investigação imparcial sobre a abordagem de segunda-feira, que terminou com a morte de nove pessoas e dezenas de feridos, incluindo tropas israelenses. A iniciativa tem o apoio do Conselho da ONU e da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Em Israel, a opinião pública está dividida. Segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo jornal Maariv, 46,7% dos israelenses consultados são favoráveis a uma investigação, contra 51,6% que a consideram inútil.

A Turquia, que teve pelo menos quatro pessoas mortas no ataque, enviou três aviões para repatriar seus 350 cidadãos. Ancara ameaçou revisar suas relações com Tel Aviv se seus cidadãos detidos após o ataque não fossem liberados até esta quarta-feira à noite.

Ataque – Israel atacou na segunda-feira um comboio composto por seis embarcações que tentavam levar ajuda humanitária aos palestinos da Faixa de Gaza. Dezenas de pessoas ficaram feridas e nove morreram. Os ativistas pró-palestinos tentavam furar o bloqueio militar imposto a Gaza em 2007, desde a ascensão do Hamas, e não aceitaram o pedido de Israel para atracar e enviar os suprimentos por terra.

(Com Reuters e agência France-Presse)