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Israel declara trégua humanitária de 4 horas

Anúncio aconteceu após bombardeio a escola da ONU, ação que deixou 19 mortos civis. O Hamas, no entanto, sinalizou que não vai acatar o cessar-fogo

O Exército de Israel declarou uma trégua humanitária de quatro horas na Faixa de Gaza nesta quarta-feira, após o ataque a uma escola da Organização das Nações Unidas (ONU) que deixou 19 mortos civis e 90 feridos, reporta o jornal The Times of Israel. O cessar-fogo teve início às 15h (horário local, 9h em Brasília). “A janela humanitária não se aplicará às áreas nas quais os soldados das Forças de Defesa de Israel estão atualmente realizando operações”, diz o comunicado oficial israelense. O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, declarou, porém, que a medida israelense “não tem qualquer valor” porque exclui áreas fronteiriças de onde o grupo quer retirar feridos. Pouco antes de o cessar-fogo entrar em vigor, sirenes advertindo sobre o disparo de foguetes do Hamas foram ouvidas em várias comunidades do sul de Israel.

A escola atingida nesta quarta estava servindo de abrigo para mais de 3.000 palestinos, informou a ONU em comunicado. Foi o segundo ataque fatal contra um abrigo da instituição nas três semanas de ofensiva no território costeiro. O Exército israelense afirmou que morteiros haviam sido disparados de um lugar perto da escola e que os soldados dispararam de volta. Ataques e bombardeios israelenses também mataram 40 palestinos em outras regiões de Gaza nesta quarta-feira, dentre eles vários membros de duas famílias cujas casas foram atingidas, disseram funcionários da área da saúde.

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Bombardeios – O ataque à escola da ONU no campo de refugiados de Jebaliya faz parte dos mais pesados ataques aéreos e de artilharia do atual conflito. A campanha israelense em Gaza foi intensificada na terça-feira com a destruição de importantes símbolos de poder do Hamas, dentre eles a casa de um importante líder do grupo. A única usina de energia do território foi fechadas após bombas atingirem um tanque de combustível, que pegou fogo.

Nesta quarta, aviões israelenses atingiram dezenas de locais em Gaza, dentre eles cinco mesquitas que, segundo Israel, eram usadas por militantes para esconder foguetes. Em Jebaliya, disparos de tanques atingiram a escola da ONU antes do amanhecer, afirmou Adnan Abu Hasna, porta-voz da agência de refugiados da instituição, que abriga mais de 200.000 pessoas desalojadas pelos confrontos em dezenas de escolas em todo o território costeiro palestino.

Hasna disse que a comunidade internacional deve entrar em cena. “É responsabilidade do mundo dizer a nós o que faremos com mais de 200.000 essoas que estão dentro de nossas escolas, pensando que a bandeira da ONU irá protegê-las”, disse ele. “O incidente de hoje prova que não há lugar seguro em Gaza”, completou. O número total de palestinos mortos desde o início dos confrontos, em 8 de julho, subiu para 1.284. Mais de 1.700 palestinos ficaram feridos. Israel perdeu 55 soldados.

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Diplomacia – Israel revelou nesta quarta sua “decepção” com a retirada dos embaixadores do Peru, do Chile e de El Salvador por causa da operação Limite Protetor em Gaza. A retirada de um embaixador representa na diplomacia um grave desentendimento na relação entre dois países, abaixo apenas do rompimento das relações diplomáticas. “Israel manifesta sua profunda decepção pela apressada decisão dos governos de El Salvador, Peru e Chile de chamar para consultas seus embaixadores. Esse passo representa um respaldo ao Hamas, uma organização reconhecida como terrorista por muitos países do mundo”, refere o Ministério das Relações Exteriores em comunicado. A decisão desses países se soma às do Brasil e do Equador, que fizeram o mesmo na semana passada e na anterior em protesto pelo que consideraram o uso desproporcional da força contra a população civil de Gaza.

(Com Estadão Conteúdo, agências Reuters e EFE)