Inspetor-geral da CIA deixará o cargo no final de janeiro

David Buckley estava desgastado por ter conduzido uma investigação sobre a própria agência. Relatório final desagradou republicanos e democratas

O inspetor-geral da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês), David Buckley, que investigou a própria instituição em casos relativos aos procedimentos de detenção e tortura de suspeitos de terrorismo, deixará seu cargo no final de janeiro, informou nesta segunda-feira a própria CIA em comunicado. Buckley, que ocupou o cargo de investigação interna da CIA durante os últimos quatro anos, deixará a agência “para buscar oportunidades no setor privado”, informa o texto.

Segundo fontes da CIA citadas pelo jornal The Wall Street Journal, a saída de Buckley vinha sendo discutida e preparada há alguns meses. Em março, a presidente da Comissão de Inteligência do Senado, a democrata Dianne Feinstein, denunciou que a CIA invadiu os computadores do comitê para buscar documentos de uma investigação sobre os métodos de interrogatório da agência de inteligência e que tentou impedir sua publicação.

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Ao saber do relatório do Senado, o diretor da CIA, John Brennan, defendeu a legalidade dos métodos de interrogatório aplicados nos suspeitos de terrorismo após o 11/9 e, apesar de ter admitido a existência de práticas “abomináveis”, disse que não era possível saber se informações “valiosas” foram obtidas graças a essas técnicas.

Buckley, que liderou uma investigação que provocou indignação tanto entre democratas como republicanos, enviou seus resultados ao Departamento de Justiça, mas, no entanto, ainda não houve consequências penais para nenhum membro da CIA. Espera-se que o subinspetor-geral, Christopher Sharpley, ocupe o posto de Buckley até que o presidente Barack Obama designe um substituto que deverá receber a aprovação do Senado.

(Com agência EFE)