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Habitantes das Malvinas aprovam soberania britânica

Em referendo, maioria esmagadora da população local votou por permanecer sob o domínio da Grã-Bretanha, rejeitando a reivindicação territorial argentina

Permanência das ilhas como território da Grã-Bretanha foi aprovada por 99,8% dos eleitores: foram 1.513 votos contra três

A esmagadora maioria dos habitantes das Ilhas Malvinas prefere que o arquipélago continue sob o domínio britânico. Foi o que mostrou o resultado do referendo realizado entre a população local nos últimos dois dias. A consulta teve grande participação dos eleitores, com 92% de comparecimento, e uma vitória maiúscula do “sim”: 99,8% dos que compareceram às urnas escolheram a permanência do status atual das Malvinas como território da Grã-Bretanha – foram 1.513 votos a favor contra apenas três.

O governo das Malvinas convocou o referendo em resposta à reivindicação territorial da Argentina, que pressiona a Grã-Bretanha para que inicie um processo de negociação a fim de resolver a disputa territorial. Com o resultado da consulta, as autoridades locais esperam dar uma mensagem clara ao governo de Cristina Kirchner de que os habitantes das ilhas rejeitam as pretensões argentinas de soberania sobre o arquipélago.

Horas antes do final da votação, o premiê britânico David Cameron pediu que os argentinos respeitassem o resultado do referendo e o “princípio de autodeterminação” dos habitantes das Malvinas. Apesar dos apelos, as autoridades argentinas já haviam adiantado que a votação não vai influenciar sua política externa. Para o governo de Cristina Kirchner, não faz sentido perguntar a cidadãos ingleses se querem continuar sendo ingleses.

Segundo o jornal La Nación, desde o início da votação a população das Ilhas se manifestou a favor da Grã-Bretanha, ostentando símbolos britânicos pelas ruas e criticando a Argentina. Na segunda-feira, os kelpers, como são chamados, também se pronunciaram por meio de uma conta no Twitter: “Em 1982, a Argentina perdeu a guerra militar. Hoje, a Argentina perderá a guerra diplomática”.

Disputa – A Argentina, que reivindica as ilhas desde 1833, se nega a incluir os habitantes locais como uma terceira parte da disputa e só aceita negociar com os britânicos. O governo Kirchner passou a reclamar a soberania sobre as ilhas com mais vigor após o aniversário de 30 anos da Guerra das Malvinas, em abril do ano passado. Em mais um sinal de acirramento da disputa, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, disse recentemente que a Argentina conseguirá recuperar as ilhas em menos de 20 anos.

(Com agências EFE e Estadão Conteúdo)