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G20 pondera saídas à crise europeia e sobre como relançar economia global

Cidade do México, 15 jun (EFE).- O fortalecimento dos recursos de proteção financeira (firewall) na Europa e de capitalização do Fundo Monetário Internacional (FMI) serão temas-chave na Cúpula do G20 de Los Cabos, no México, onde o país anfitrião buscará um compromisso para frear as medidas protecionistas e impulsionar a criação de empregos em um contexto de incessante recessão global.

Apenas sete meses depois da última reunião de Cannes (França), este fórum informal de concerto internacional de países industrializados e emergentes tentará nos dias 18 e 19 de junho impulsionar um crescimento mundial já previsto como moderado para 2012 (+3,5%) e 2013 (+4,1%), segundo previsões do FMI.

O encontro servirá para analisar como coordenar melhor as políticas macroeconômicas entre as 20 nações do bloco e para revisar de que maneira se pode equilibrar as políticas de austeridade com as de crescimento e fomento do emprego no curto prazo, algo que deveria se concretizar no chamado Plano de Ação de Los Cabos.

A situação financeira da Grécia e da Espanha serão temas protagonistas do evento, que ocorrerá um dia após as cruciais eleições gregas e pouco mais de uma semana depois da aprovação de um pacote de ajuda financeira de 100 bilhões de euros da zona do euro para recapitalizar o setor bancário espanhol.

O G20 revisará no México temas como de que maneira se pode fortalecer a capacidade de vigilância independente do FMI de fluxos de capital, taxas de câmbio e outras variáveis macroeconômicas.

Também há planos de impulsionar o ‘crescimento verde’ para colocá-lo no centro de um novo modelo econômico que permita melhorar os resultados do combate ao aquecimento global, um assunto que avançou devagar no seio da ONU.

Em matéria de comércio, o G20 buscará renovar o apelo, até agora infrutífero, para que se abandone o protecionismo e se fomente o livre-comércio e a eliminação das barreiras alfandegárias e não-alfandegárias, algo que não está ocorrendo, apesar de ter sido um dos temas abordados na Cúpula de Cannes no ano passado.

Desde outubro de 2008, quando ainda do auge da crise econômica global, vários países fecharam suas fronteiras e estabeleceram 802 medidas identificadas como prejudiciais – até o mês passado, apenas 18% de todas elas haviam sido eliminadas.

Outra das pretensões do G20 é sair de Los Cabos com um renovado compromisso de relançar na Organização Mundial do Comércio (OMC) a Rodada de Doha, estagnada há uma década devido à incapacidade de se conseguir acordos sobre subsídios governamentais e polêmica em setores-chave, como agricultura.

Sobre a mesa de negociações de Los Cabos estará uma proposta para medir o comércio de acordo com as ‘cadeias de valor’ que com ele se geram, isto é, revisando o valor agregado apresentado por cada um dos insumos que se somam a um processo produtivo.

Também se estudará se é factível melhorar a segurança alimentar global, algo que grupos da sociedade civil sugerem que se faça estabelecendo limites de preços e medidas contra a especulação.

Desde junho de 2010 há um grupo de analistas que busca melhorar o combate à corrupção, à lavagem de dinheiro e aos paraísos fiscais, cujos resultados serão examinados no México.

Embora algumas dessas prioridades façam parte da agenda regular do G20, a Presidência rotativa do bloco – exercida pelo México – tem buscado impulsionar temas como segurança alimentar e economia verde como ‘valor agregado’ a uma iniciativa que a cada dia tem um papel mais importante no ordenamento mundial.

‘Nossas prioridades são aquelas que os cidadãos demandam e pelas quais estão mais preocupados’, afirmou Calderón na entrevista coletiva que encerrou a Cúpula do G20 em Cannes (França).

Na condição de uma das principais economias emergentes do mundo, o México também pretendeu exercer o papel de link entre as nações ricas e os países em desenvolvimento.

‘Como estratégia geral, o México deseja aproveitar sua condição de ‘país-ponte’ entre regiões’, destacou a negociadora mexicana Lourdes Aranda, referindo-se à posição geográfica do país, entre o norte e o sul da América, entre o Atlântico e o Pacífico e por seus históricos laços com a Europa.

‘Combinado ao anterior, o México tem a capacidade de agir para aproximar posições entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento’, acrescentou Aranda. EFE