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Franco faz apelo ao Congresso por aprovação de projetos

Novo presidente foi aplaudido por parlamentares em almoço onde apresentou as principais metas de seu governo: reestruturação econômica e paz no campo

O presidente do Paraguai, Federico Franco, fez nesta quarta-feira um apelo aos parlamentares para que trabalhem para a aprovação de projetos do Executivo das áreas econômica e social. A falta de articulação com o Congresso sempre foi um problema da gestão do ex-presidente Fernando Lugo, destituído na semana passada depois de sofrer um impeachment. Sem apoio parlamentar, Lugo não conseguia sequer liberar recursos para programas de governo.

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A realidade é totalmente diferente para Franco, que encontrou no Senado uma calorosa acolhida nesta quarta, quando foi recebido para um almoço com um grupo de cerca de cem parlamentares em uma ampla sala com vista panorâmica para o Rio Paraguai. Sobre quatro longas mesas de banquete, havia toalhas vermelhas e arranjos com rosas brancas, amarelas e laranjas.

“Estou convencido de que sem a ajuda e a cooperação dos senhores senadores e deputados nenhum avanço será possível”, discursou o presidente. “Peço que trabalhemos como um só corpo. Conheço cada um dos senhores, sei de onde vêm e do prestígio que têm. Peço-lhes, pela bandeira vermelha, branca e azul, que aprovem esses projetos.”

Os parlamentares responderam à fala de Franco com efusivos aplausos. O almoço reuniu representantes dos maiores partidos paraguaios: Colorado, Liberal, Unacer e Democratas Progressistas. O voto desses parlamentares foi fundamental para selar o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo.

Pedidos – Entre os pedidos de Franco ao Congresso está a liberação de mais de 250 milhões de dólares para projetos de revitalização de Assunção, para a construção de uma linha de trem e para estímulo das pequenas e médias empresas paraguaias. O presidente pediu ainda a nomeação imediata para três vagas na direção do Banco Central.

Federico Franco fez uma crítica velada à gestão de Fernando Lugo ao citar um relatório do Ministério de Obras Públicas segundo o qual apenas 0,56% dos projetos planejados para o período foram feitos. “Isso não pode ficar assim. O dinheiro existe e temos que executar as obras de infraestrutura de forma coordenada, para quer os produtores possa escoar sua produção”, declarou.

Reforma agrária – Um dos grandes pontos de tensão no governo Fernando Lugo era a questão fundiária. Como o ex-presidente era simpático com os sem-terra, conhecidos como carperos no Paraguai, o grupo ganhou força e passou a agir de forma violenta e organizada. A gota d’água foi quando, há duas semanas, carperos cercaram e atacaram policiais que negociavam uma reintegração de posse em Curuguaty, no norte do país. O conflito acabou com 17 mortos.

Federico Franco prometeu pacificar o campo, a partir de um programa de desenvolvimento agrário. “Nosso ministro da Agricultura assume a responsabilidade de fazer um censo e apresentar, antes do fim do governo, um cadastro para poder iniciar um sólido programa de desenvolvimento rural sustentável com ênfase na agricultura familiar”, afirmou o presidente, completando: “A falta de terra será sanada de forma responsável, pelo diálogo e o consenso.”

Economia – Os pedidos de Franco foram reforçados pelo ministro da Fazenda, Manuel Ferreira, um empresário empossado na terça-feira. “Esse é um governo de transição. Nosso papel é lançar uma semente para aqueles que vão assumir o país depois da próxima eleição”, disse. “Poucas vezes um governo teve a oportunidade de fazer tanto quanto Franco tem. Precisamos mostrar isso ao mundo.”

O ministro da Fazenda também elogiou a “coragem” dos deputados e senadores ao levar a cabo o processo de impeachment do ex-presidente Lugo. “Confio que o Parlamento paraguaio continuará em seu caminho de coragem e tomará as decisões que precisam ser tomadas”, declarou Ferreira. “Os senhores podem ajudar a consolidar a imagem internacional do Paraguai.”

Manuel Ferreira colocou como prioridades da equipe econômica a criação de um imposto de renda pessoal, que ainda não existe no Paraguai, para ajudar no processo de distribuição de renda; e de uma lei que sirva de marco para as concessões públicas. “Somos um estado pobre, sem recursos, por isso precisamos que o setor privado invista em obras públicas.”