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FNS ocupa morro no Rio para combater consumo de crack

Rio de Janeiro, 18 mai (EFE).- Cerca de 150 membros da Força Nacional de Segurança (FNS) ocuparam nesta sexta-feira o Morro Santo Amaro, no centro do Rio de Janeiro, em uma operação para combater o consumo de crack no local, informaram fontes oficiais.

Trata-se da primeira vez que a FNS, que tem seu comando em Brasília, é usada em uma cidade brasileira para combater o consumo deste derivado de baixo custo da cocaína com efeitos mais nocivos para a saúde do que outras drogas.

Igualmente, é a primeira vez que uma favela do Rio de Janeiro é ocupada por forças policiais em uma operação de combate direto ao consumo de crack.

A favela escolhida para iniciar a inédita operação de combate ao crack foi o morro Santo Amaro, onde é comum ver várias pessoas dependentes desta droga praticamente vivendo na rua.

No bairro funciona uma das 11 cracolândias identificadas na cidade pela Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro.

Os membros da FNS, que permanecerão no bairro por tempo indeterminado, foram distribuídos pelas ruas da favela poucas horas depois que agentes da Polícia Civil e da Polícia Militarizada tomaram o bairro, sem dar um único tiro, para garantir a expulsão de pistoleiros e traficantes de drogas.

Além dos policiais, o Santo Amaro foi ocupado por cerca de 200 assistentes sociais, psicólogos e educadores que oferecerão ajuda aos dependentes de crack em diferentes postos e durante 24 horas por dia.

Em poucas horas de operação os assistentes sociais conduziram para os postos de saúde 65 dependentes da droga que dormiam na rua, entre eles cinco menores de idade.

A ocupação desta favela servirá como modelo para outras operações de combate ao consumo de crack nos demais cidades brasileiras, segundo o Ministério da Justiça.

‘Há outras cracolândias maiores no Rio de Janeiro, mas escolhemos esta porque consideramos que serviria para um bom projeto-piloto, já que aqui funciona um ponto de distribuição da droga para o centro e zona sul da cidade’, segundo o secretário de Ordem Pública do Rio de Janeiro, Rodrigo Bethlem.

As operações de combate ao consumo de crack no Rio de Janeiro se limitavam a retirar os dependentes das ruas para conduzi-los a centros de assistência, mas até agora não tinham sido dirigidas contra os traficantes.

Desde que a Prefeitura do Rio de Janeiro começou a atender dependentes desta droga há cerca de um ano, pelo menos 4.000 pessoas foram levadas a centros de assistência, onde permanecem pouco tempo antes de voltar para as ruas.

A operação desta sexta-feira faz parte das ações anunciadas em dezembro do ano passado pela presidente Dilma Rousseff para combater o consumo de crack nas principais cidades do país. EFE