Flotilha que tentou romper bloqueio em Gaza levava armas

Um vídeo inédito mostra dois ativistas com uma pistola e um fuzil, diz jornal

A Flotilha da Liberdade – grupo de embarcações que, em 31 de maio de 2010, tentou romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza para levar à região itens de ajuda humanitária – tinha armas de fogo a bordo. A informação, divulgada nesta terça-feira o jornal israelense Yedioth Ahronoth, se baseia em imagens de um vídeo inédito do episódio. Entre os equipamentos militares estava pelo menos uma arma automática.

As imagens foram descobertas há várias semanas em um computador confiscado pelos soldados israelenses que assaltaram o principal navio da pequena frota, o Mavi Marmara, para impedir que furasse o bloqueio. No ataque em alto-mar morreram nove ativistas turcos. A revelação do jornal ocorre dias antes de uma nova flotilha, composta por uma dezena de navios, chegar a território palestino com o mesmo objetivo.

Após o ataque ao Mavi Marara, os comandos israelenses aerotransportados asseguraram que ativistas abriram fogo contra eles e que dois soldados foram feridos por balas nove milímetros disparadas por armas que não são utilizadas pelo Exército israelense. A bordo da embarcação, Israel só encontrou varas de aço e apetrechos de duplo uso que os ativistas utilizaram para tentar impedir a abordagem do comboio que se dirigia a Gaza carregado de ajuda humanitária.

As imagens – O vídeo inédito mostra momentos anteriores ao ataque israelense, nos quais um homem, que deve pertencer à organização islâmica turca IHH, segura uma pistola, e outro, um fuzil automático. Os organizadores da pequena frota, de várias ONGs internacionais, asseguraram que no navio nunca existiram armas de fogo, enquanto o Exército israelense alegou que elas foram lançadas ao mar para que não fossem encontradas.

Na semana passada, uma emissora de televisão já havia anunciado que o corpo de Inteligência Militar tinha em seu poder as imagens há “algum tempo” e se perguntou por que elas não haviam sido divulgadas. Segundo um porta-voz do Exército israelense, o material foi descoberto recentemente e entregue aos organismos que investigam os fatos.

Novo comboio – Ainda este mês, uma dezena de navios com cerca de 1.500 ativistas a bordo deve zarpar no território palestino. A nova flotilha transportará material de construção e outros produtos que estão em escassez na Faixa de Gaza, submetida a um bloqueio imposto por Israel desde que o movimento islâmico Hamas assumiu o poder no território em junho de 2007.

Após o assalto ao Mavi Marmara e por pressões internacionais, Israel relaxou parcialmente o bloqueio. Além disso, recentemente as autoridades egípcias decidiram abrir a passagem fronteiriça de Rafah pela primeira vez nos últimos quatro anos.

(Com agência EFE)