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Filha de Kadafi processa Otan por ‘crimes de guerra’

Regime diz que coalizão lançou 60 bombas em Trípoli nesta terça, matando 32

Em meio à intensificação dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia, a filha do ditador Muamar Kadafi anunciou que entrou com uma ação na Justiça belga, nesta terça-feira, contra a aliança ocidental. Aisha Kadafi acusa a coalizão de cometer “crimes de guerra” por causa de um ataque que matou um filho e três netos do ditador, em abril. Seus advogados informaram ainda que vão tentar anular o bloqueio da União Europeia ao regime líbio.

O anúncio ocorre no dia em que uma série de explosões foi ouvida em Trípoli e que os líderes Barack Obama, dos EUA, e Angela Merkel, da Alemanha, anunciaram que vão aumentar a pressão sobre Kadafi. De acordo com o regime, a Otan lançou 60 bombas sobre a capital líbia, matando 32 pessoas. O ditador, contudo, disse em uma mensagem de áudio que não vai sucumbir e convocou a população líbia à resistência.

Acusações – “A decisão da Otan de tomar como alvo uma residência civil em Trípoli constituiu crime de guerra”, declarou um dos advogados, o francês Luc Brossollet, que apresentou a demanda de Aisha Kadafi à procuradoria de Bruxelas e à Justiça federal belga.

Brossollet se referia ao ataque realizado pela aliança atlântica ao complexo residencial do ditador, no dia 30 de abril passado. Na ocasião, morreram o filho mais jovem de Kadafi, Saif al Arab, de 29 anos, e três de seus netos, Saif (2 anos), Cartago (2 anos) e Mastura (4 meses), assim como amigos e vizinhos.

A resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU autoriza a Otan a atuar militarmente para proteger a população líbia no atual conflito entre rebeldes e governo. “Mas mesmo em caso de guerra, os civis não devem ser atacados”, defendeu outro advogado da filha de Kadafi, Jean-Charles Tchikaya. “O alvo, neste caso, era uma construção habitada por civis não um posto de comando ou de controle militar do regime líbio”, diz o texto da acusação.

Ataques – O anúncio sobre o processo ocorre no dia em que a Otan realizou um dos bombardeios mais violentos sobre a Líbia desde o início da intervenção. Segundo o porta-voz do regime, Musa Ibrahim, a aliança ocidental lançou 60 bombas sobre a capital, causando 32 mortes nesta terça-feira. “A Otan realizou um ataque rancoroso sobre Trípoli”, declarou Ibrahim em entrevista à imprensa, afirmando que dezenas de pessoas ficaram feridas.

Ele disse que os ataques tiveram como alvo, novamente, o complexo residencial de Kadafi, no centro de Trípoli, e a estrada em direção ao aeroporto, ao sul da capital líbia.

(Com agência France-Presse)