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Explosão em mina deixa 238 mortos e centenas soterrados

Ministro informou que 787 estavam na mina de carvão no momento do acidente

As autoridades turcas confirmaram 238 mortes após uma explosão seguida de incêndio em uma mina de carvão na província de Manisa, no oeste da Turquia. As equipes de resgate acreditam que centenas de trabalhadores estejam soterrados no interior da mina. Há também oitenta pessoas feridas, quatro em estado grave. O número de mortos ainda pode aumentar, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Energia turco, Taner Yildiz, enquanto o governo decretou três dias de luto no país. O ministro não quis antecipar quantas pessoas permanecem presas na mina e prometeu atualizar o número de vítimas assim que os corpos forem recuperados.

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O ministério turco do Trabalho e Previdência Social informou que a mina passou por uma inspeção em 17 de março e respeitava as normas de segurança. Mas a informação foi rebatida por trabalhadores. “Não existe nenhuma segurança nesta mina. Os sindicatos são marionetes e a direção pensa apenas no dinheiro”, disse o mineiro Oktay Berrin à agência France-Presse. “As pessoas estão morrendo ali dentro, outras estão feridas, e tudo por uma questão de dinheiro”, afirmou, irritado, o mineiro Turgut Sidal. Vedat Didari, especialista em indústria mineradora, explicou que o principal risco é a falta de oxigênio. “Se os ventiladores não funcionarem, os mineiros podem morrer em uma hora”, disse Didari, da Universidade Bulent Ecevit, em Zonguldak.

O acidente de Soma é uma das maiores tragédias industriais da história da Turquia. As explosões em minas de carvão são comuns na Turquia, principalmente no setor privado, que, em muitos casos, não respeita as regras de segurança. O acidente mais grave aconteceu em 1992, quando 236 mineiros perderam a vida em uma explosão de gás na mina de Zonguldak. O distrito de Soma, que tem cerca de 100.000 habitantes, é um dos principais centros de extração de lignito (carvão fóssil), a principal atividade da região.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, adiou uma visita à Albânia e irá ao local do desastre. Ele divulgou um comunicado no qual decretou três dias de luto oficial e que as bandeiras do país sejam hasteadas a meio mastro nas instituições turcas de todo o mundo. Também serão canceladas as comemorações previstas para a próxima segunda-feira, dia 19 de maio, feriado nacional na Turquia, e só serão mantidos os atos institucionais.

(Com Estadão Conteúdo, France-Presse e EFE)