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Exército sírio usa crianças como escudo, relata ONU

Documento divulgado nesta terça também denuncia as tropas por torturar, executar e abusar sexualmente de crianças a partir dos 8 anos de idade

Um relatório da ONU divulgado nesta terça-feira denuncia as tropas do Exército sírio por torturar, executar, abusar sexualmente e usar crianças a partir dos 8 anos de idade como “escudos humanos” durante os ataques militares contra os opositores do ditador Bashar Assad. As Nações Unidas qualificaram o governo sírio como um dos piores em sua “lista da vergonha” de países em conflito, onde crianças são mortas, torturadas e forçadas a lutar.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Grupos de direitos humanos estimam que cerca de 1.200 crianças já morreram durante os 15 meses da revolta contra Assad, cuja brutal repressão aos protestos da primavera árabe tem sido amplamente condenada. “Raramente vi tamanha brutalidade contra crianças como na Síria, onde meninas e meninos são presos, torturados, executados e utilizados como escudos humanos”, disse Radhika Coomaraswamy, representante especial da ONU para crianças em conflitos armados.

Segundo o relatório, as forças do governo reuniram dezenas de meninos entre 8 e 13 anos antes de um ataque à aldeia de Ayn l”Arouz, na província de Idlib, em 9 de março. As crianças foram “usadas pelos soldados e milicianos como escudos humanos, colocadas nas janelas dos veículos que transportavam militares no ataque à aldeia”, diz o documento.

Citando testemunhas, a ONU relata que as forças militares e de inteligência sírias, assim como os integrante da milícia Shabiha, pró-governo, cercaram a aldeia para um ataque que durou mais de quatro dias. Entre os 11 mortos, três eram meninos de 15 a 17 anos. Outras 34 pessoas, incluindo dois meninos de 14 e 16 e uma menina de 9 anos, foram detidas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o relatório havia descoberto uma das muitas “violações graves” contra as crianças.

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Bombardeios – Enquanto isso, os bombardeios do Exército sírio continuam desde o início da manhã desta terça-feira em diferentes pontos da cidade de Homs, principal bastião da oposição. Os Comitês de Coordenação Local, que organizam a revolta popular dentro da Síria, denunciaram que várias pessoas ficaram feridas pelo intenso bombardeio do regime contra a cidade de Al Quseir e seus arredores.

A Comissão Geral da Revolução Síria também afirmou que a cidade de Homs e sua periferia são alvo de bombardeios que deixaram dezenas de feridos. Pelo terceiro dia consecutivo, o distrito de Yuret al Shayah, em Homs, é atacado pelas milícias pró-governo, que bombardeiam de forma indiscriminada casas de civis para impedir a entrada e a saída das pessoas do bairro.

De acorco com grupos opositores, os cortes de eletricidade e de água são contínuos. Na noite desta segunda, a missão de supervisão da ONU na Síria expressou em comunicado sua preocupação pelo aumento da violência em Homs. A nota destaca que os observadores comprovaram que há combates intensos nos municípios de Al Rastan e Telbise, onde se emprega artilharia, morteiros, armas automáticas e helicópteros.

(Com agências Estado e EFE)