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Exército egípcio dá 48 horas para Mursi conseguir acordo

Ao menos quatro ministros renunciaram 'em solidariedade a manifestantes'

O ministro egípcio da Defesa, Abdel Fattah Al Sisi, a mais alta autoridade militar do país, deu nesta segunda-feira um ultimato de 48 horas para o presidente Mohamed Mursi conseguir um acordo com os manifestantes que pedem a sua renúncia há dias em protestos que já deixaram dezesseis mortos, segundo o site do jornal The Guardian. Na primeira resposta militar oficial às manifestações, Al Sisi disse que, caso as diferenças entre os dois lados não sejam resolvidas, o Exército vai intervir, em uma aparente ameaça de golpe de estado. Contudo, ainda não está claro como os militares pretendem intervir.

O ministro da Defesa ordenou, nesta segunda-feira, que os políticos no poder apresentem um “roteiro inclusivo” para o futuro, caso contrário o próprio Exército apresentaria o seu “em cooperação com todos os partidos, especialmente a juventude egípcia”. Na semana passada, o exército do país disse que interviria para impedir que o Egito entrasse em um “túnel escuro” e ordenou que Mursi e a oposição chegassem a um acordo, o que não aconteceu.

Em vez disso, ao menos quatro ministros egípcios deixaram o cargo nesta segunda-feira “em solidariedade aos manifestantes”, que pedem a renúncia de Mursi desde a semana passada. Renunciaram os ministros do Turismo, Hisham Zaazou; da Comunicação e Tecnologia da Informação, Atef Helmi; de Assuntos Jurídicos e Parlamentares, Hatem Bagato; e de Assuntos Ambientais, Khaled Abdel-Aal.

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Há um ano, o membro da Irmandade Muçulmana assumiu o poder que estava nas mãos de uma Junta Militar desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011. No período em que os militares estavam no comando do país, os manifestantes os acusavam de minar os esforços para a construção da democracia. Mas, antes mesmo de largar o poder, a junta negociava para manter alguma relevância dentro do novo governo. Mursi assumiu a Presidência, mandou para a reserva os generais mais influentes e substituiu-os por outros simpáticos à Irmandade.

Quem esperava ver no poder um defensor da democracia, dos direitos humanos e das liberdades universais, acabou se deparando com um novo ditador. E, como ocorreu nos dias que antecederam a derrubada de Mubarak, o papel das Forças Armadas será determinante para traçar o futuro do país. Para muitos cidadãos, os militares podem trazer a ordem que o país não encontrou ao longo de um ano marcado pela crise política e por uma cada vez mais aguda crise econômica. Não deixa de ser uma opção desoladora. Oposição – Mais cedo, a oposição havia dado um prazo de até 24 horas para a renúncia de Mursi, caso contrário, o movimento opositor Tamarod, que liderou as grandes manifestações de domingo, iniciaria uma campanha de “desobediência civil”. O Tamarod, que rejeitou um diálogo com o presidente, havia pedido ainda às Forças Armadas, à polícia e ao sistema judicial uma “posição clara ao lado da vontade popular representada pelas gigantescas manifestações de domingo”.

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Até a manhã desta segunda-feira, a última onda de protestos no Egito havia deixado um saldo de dezesseis mortes e mais de 700 feridos. Entre as vítimas, pelo menos nove morreram em confrontos entre islamitas e opositores na sede da Irmandade Muçulmana, no Cairo.

Centenas de milhares de egípcios participaram das manifestações no domingo, data que marcou um ano da posse de Mursi no governo. Com bandeiras do Egito, a multidão ocupou a Praça Tahrir e bradava pela saída de Mursi, na maior manifestação desde a revolta que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 2011.