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Ex-chefe de espionagem de Kadafi vai ser julgado na Líbia

Julgamento de Abdullah al-Senussi era disputado pelo Tribunal Penal Internacional, em Haia, e por corte do país africano

O Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou nesta sexta-feira que o antigo chefe de espionagem e cunhado do ex-ditador Muamar Kadafi, Abdullah al-Senussi, poderá ser julgado por uma corte na Líbia por crimes contra a humanidade, segundo informações da BBC.

Desde o início de 2012, quando Senussi, de 63 anos, foi capturado na Mauritânia, o TPI e a Justiça da Líbia vinham travando uma disputa para decidir quem iria julgá-lo. Em fevreiro, o tribunal internacional chegou a ordenar que os líbios entregassem o ex-espião.

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Agora, o TPI desistiu oficialmente de julgar Senussi em Haia, na Holanda. Em um declaração, o tribunal, que costuma realizar julgamentos quando acredita que o réu não vai ter um tratamento adequado em seu país, disse ter avaliado que a Justiça líbia tem “condições de realizar os procedimentos”.

O tribunal, no entanto, advertiu que pode rever a decisão caso a Líbia não se esforce em julgar Senussi ou não garanta seu direito de defesa. Ele é acusado de participação em um massacre em uma prisão no país, provocando a morte de mais de 1 000 presos. Em 1999, ele foi condenado à revelia à prisão pérpetua pela Justiça da França, que o acusou de estar por trás da explosão de um avião de passageiros da companhia UTA sobre o espaço aéreo do Níger, em 1989 – a ação resultou na morte de mais de 170 pessoas.