EUA: Senado amplia sanções contra a Rússia

Medida, que é uma resposta a suposta interferência russa nas eleições de 2016, ainda precisa passar pela Câmara dos Representantes e Casa Branca

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira novas sanções contra a Rússia por sua suposta interferência nas eleições americanas de 2016, apesar da advertência do secretário de Estado, Rex Tillerson, de que essa medida poderia impedir um “diálogo construtivo” com Moscou. O plano, que necessita ainda da autorização da Câmara dos Representantes e da Casa Branca, amplia as sanções aos setores de defesa e inteligência militar russos, e limita a capacidade do presidente Donald Trump de suspender essas restrições.

As novas sanções à Rússia passaram por uma votação de 97 a 2 e foram anexadas a um processo que visa fortalecer as sanções contra o Irã.  O acordo complica a suspensão das sanções já impostas à Rússia pelo governo do presidente anterior, Barack Obama, e permite estendê-las a setores da economia russa.

“É hora de responder ao ataque russo à democracia americana com força, com determinação, com unidade e com ação”, disse o senador republicano John McCain antes da votação no plenário do Senado.

As medidas serão impostas aos russos que fornecer armas ao regime de Assad, ou tenham sido declarados culpados por abusos aos direitos humanos, ou que tenham conduzido “atividades cibernéticas maliciosas” em nome do governo russo, entre outras categorias. As medidas atingem setores importantes da economia russa, como transporte marítimo e mineração.

De acordo com o jornal The Guardian,  Tillerson, quando questionado durante uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado, chamou a emenda de “inesperada” e disse que a administração gostaria de ter mais “flexibilidade” para acelerar o aquecimento da Rússia. Posteriormente, nesta quarta-feira, durante uma apresentação no Comitê de Relações Estrangeiras da Câmara, Tillerson questionou a eficácia das sanções.

Entretanto, ainda que a administração Trump discorde das medidas, um sistema de revisão foi implantado pelo Congresso após a legislação de 2015, aprovada pelo Senado, que deu voto ao Congresso sobre decisões do presidente Barack Obama a respeito de questões sobre o Irã. A necessidade surgiu, pois, na época, republicanos reclamavam que o presidente estava ultrapassando o seu poder e precisava ter suas ações verificadas pelo Congresso.

A ação do Senado acontece em meio às investigações no Congresso e no Departamento de Justiça sobre a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais, e os possíveis laços com Moscou da campanha de Trump.

(com EFE)