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EUA minimizam denúncia sobre espionagem à UE

Europa adverte EUA sobre risco de quebra da confiança por grampos

O secretário americano de Estado, John Kerry, disse nesta segunda-feira que “quase todos os governos nacionais, e não só o dos Estados Unidos, usam muitas atividades para salvaguardar seus interesses e sua segurança”, em sua primeira reação oficial à informação de que Washignton teria espionado a União Europeia (UE) e outros aliados.

A UE advertiu sobre uma “quebra da confiança” e exigiu que os EUA se expliquem sobre a denúncia feita por uma revista alemã. O bloco europeu disse ainda que, se for verdadeira, essa vigilância é “chocante” e terá consequências políticas. “Europa e Estados Unidos são sócios, amigos, aliados. A confiança tem que ser a base de nossa cooperação e deve ser restabelecida neste campo”, disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.

“Mas, se for confirmado que representações diplomáticas da UE e de países europeus foram espionadas, então temos que dizer claramente que a espionagem de amigos é inaceitável. Não estamos mais na Guerra Fria”, afirmou Seibert. Algumas autoridades europeias disseram que a negociação de um acordo de livre comércio entre UE e EUA poderão ser suspensas até que Washington esclareça o assunto.

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O jornal The Guardian disse, em artigo publicado na noite de domingo, que os Estados Unidos também tiveram como alvo aliados não-europeus, incluindo Japão, Coreia do sul e Índia – uma notícia constrangedora para Kerry, que chegou a Brunei nesta segunda-feira para uma conferência sobre a segurança na Ásia. Kerry confirmou que a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, abordou o tema durante uma reunião que os dois tiveram em Brunei, mas não entrou em detalhes sobre a conversa. Ele afirmou que ainda não havia visto detalhes das denúncias publicadas na imprensa europeia. Autoridades do Japão e Coreia do Sul também disseram ter pedido esclarecimentos aos EUA. Autoridades em Nova Délhi não comentaram o assunto. “Eu digo que cada país no mundo que está envolvido em assuntos internacionais e em segurança nacional realiza muitas atividades para proteger sua segurança nacional, e que todo tipo de informação contribui para isso. Tudo o que eu sei é que isso não é incomum para muitas nações”, disse Kerry em entrevista coletiva. Denúncia – A revista Der Spiegel divulgou no sábado que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA grampeou órgãos da UE e teve acesso a redes de computadores internas do bloco. No mês passado, a revelação de que a NSA espionava as comunicações digitais e telefônicas de milhões de pessoas já havia causado indignação entre políticos europeus. O caso aumentou a desconfiança em relação à administração de Barack Obama, que já vinha sendo atingida por denúncias de perseguição à imprensa e a grupos conservadores. No domingo, em uma reportagem complementar, a Der Spiegel disse que, num mês habitual, a NSA monitora 500 milhões de telefonemas, e-mails e mensagens de texto na Alemanha, um volume de dados semelhante ao que os EUA colhem na China e no Iraque e bem mais do que a atividade de espionagem de qualquer governo europeu. (Com agências France-Presse e Reuters)