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EUA anunciam sanções contra responsáveis por instabilidade na Ucrânia

Medidas impõem restrições para concessão de vistos a funcionários de governo e cidadãos russos e ucranianos

(Atualizado às 13h)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou nesta quinta-feira sanções contra “indivíduos e entidades” que forem responsáveis por intensificar a instabilidade política na Ucrânia. Segundo o jornal The New York Times, a medida é significativa porque atinge tanto russos quanto ucranianos. Em um comunicado divulgado pelo secretário de Imprensa, Jay Carney, o governo americano anunciou que impôs restrições de vistos a funcionários e indivíduos do governo russo e que o ato reflete “a decisão política de negar vistos aos responsáveis e cúmplices de ameaçar a soberania e integridade territorial da Ucrânia”. O documento, no entanto, não divulga a identidade dos russos ou ucranianos que estarão impedidos de entrar nos EUA.

Segundo a agência Reuters, o presidente Vladimir Putin não está entre os alvos das sanções. “É incomum e só acontece em circunstâncias extraordinárias sanções terem como alvo um chefe de Estado”, disse um membro do governo americano à agência.

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A Casa Branca advertiu também que os Estados Unidos estão preparados, caso seja necessário, para impor sanções adicionais contra aqueles que ajudem a sabotar a integridade territorial do país, se apoderarem ilegalmente de bens do Estado ucraniano ou que tomarem para si a autoridade sobre partes do país sem autorização do governo interino. Segundo o NYT, sanções adicionais podem incluir o congelamento de bens desses indivíduos nos EUA e a proibição de que americanos possam fazer negócios com eles.

A parte que trata sobre a tomada ilegal da autoridade é uma referência praticamente direta aos deputados e o governo local da Crimeia, que buscam se separar da Ucrânia e contam com apoio de Moscou. Nesta quinta-feira, o Parlamento da Crimeia, que é controlado pelo grupo pró-Rússia, votou pela separação da região e a anexação pela Rússia. A decisão ainda deve ser confirmada em um referendo nos próximos dias. O governo de Kiev considera as decisões ilegais.

Antes de adotar essas restrições, os EUA já haviam suspendido as discussões bilaterais com a Rússia, além de boicotar uma reunião prévia do G8 que deveria acontecer nesta semana. A União Europeia, por sua vez, determinou na quarta-feira o congelamento de bens de Viktor Yanukovich, presidente deposto da Ucrânia, de seus filhos Aleksander e Victor, do ex- primeiro-ministro Nikolai Azarov e de outros quatorze dirigentes do governo suspeitos de desvio de fundos do Estado.

“Procuramos trabalhar com todas as partes para alcançar uma solução diplomática que possa restaurar a soberania da Ucrânia. Convocamos a Rússia para aproveitar a oportunidade de recuar e resolver essa crise por meio de um diálogo direto e imediato com o governo ucraniano”, ressaltou o comunicado da Casa Branca.

(Com Estadão Conteúdo)