EUA admitem ataque acidental a forças do governo sírio

Bombardeio deixou 62 soldados mortos e mais de 100 feridos.

O exército dos Estados Unidos admitiu na tarde deste sábado (17) ter atacado acidentalmente forças do governo sírio. O bombardeio, feito com dois caças F-16 e dois A-10 a uma base militar síria próxima do aeroporto de Deir el-Zour, local cercado por militantes do Estado Islâmico, deixou 62 soldados mortos e mais de 100 feridos.

A declaração emitida pelo Comando Central dos Estados Unidos garante que os ataques tinham como alvo o Estado Islâmico e que foram “imediatamente interrompidos quando oficiais da coalizão foram informados por seus pares russos de que era possível que os alvos atingidos fizessem parte do exército sírio”.

A nota ainda diz que “as forças da coalizão jamais atacariam intencionalmente uma unidade do exército da Síria”.

Durante os cinco anos de guerra civil na Síria, não há indícios de que os Estados Unidos tenham atacado diretamente as forças do presidente sírio Bashar Assad, mas o ocorrido de hoje deixou o governo indignado. A Síria fala que o ato foi “uma prova do apoio dos EUA ao Daesh e outros grupos terroristas”. Daesh é o acrônimo árabe para o Estado Islâmico.

O ataque supostamente acidental acontece na mesma semana em que os Estados Unidos e Rússia iniciaram um acordo de cessar-fogo na Síria.

Apesar de dezenas de violações, o acordo vem sendo mantido, mesmo com acusações, por parte da Organização das Nações Unidas (ONU) de que governo sírio estaria impedindo a chegada de ajuda humanitária na cidade de Alepo, a mais fragilizada pela guerra.

O governo sírio, por outro lado, diz ter feito todo o esforço necessário para facilitar a chegada de ajuda, mas grupos rebeldes teriam colocado fogo nas rotas que levam até Alepo.

(Com Estadão Conteúdo)