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EUA acusam Irã de tentar assassinar embaixador saudita

Os Estados Unidos acusaram nesta terça-feira o Irã de tentar assassinar o embaixador saudita em Washington através de um complô no qual um agente secreto americano no México se passou por um narcotraficante para realizar o atentado.

Mansor Arbabsiar, um iraniano de 56 anos naturalizado americano, foi detido no dia 29 de setembro ao voltar do México após realizar várias reuniões com esse falso narcotraficante, informou o procurador-geral americano, Eric Holder, em uma coletiva de imprensa.

Outro iraniano, Gholam Shakuri, membro do grupo de elite militar Al-Qods, com base no Irã, permanece foragido, explicou Holder.

Os dois agentes prepararam um atentado que poderia ter terminado com a explosão de uma bomba em Washington, informou o procurador-geral.

O presidente Barack Obama estava ciente desta tentativa desde junho.

O complô foi “concebido, financiado e dirigido a partir do Irã”, insistiu o procurador-geral.

Segundo a imprensa americana, o atentado faria parte de um ataque mais amplo contra as embaixadas saudita e israelense em Washington.

A operação, que os americanos batizaram de Coalizão Vermelha, teve início em maio quando Arbabsiar entrou em contato com o agente secreto da Administração Antidrogas (DEA) no México.

Arbabsiar queria que o suposto narcotraficante, que dizia fazer parte de um cartel mexicano, se encarregasse do ataque em troca de 1,5 milhão de dólares.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos consultarão seus aliados sobre mecanismos para “isolar mais” o Irã depois de descoberto o complô.

Algumas “áreas nas quais podemos cooperar mais de perto para enviar uma forte mensagem ao Irã e isolá-lo da comunidade internacional também serão consideradas”, disse, sem dar detalhes.

Reportagens da imprensa indicaram que Washington poderá buscar novas sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas, assim como sanções unilaterais por parte de seus aliados, da Austrália à Europa.

“Consultaremos nossos amigos e aliados ao redor do mundo sobre como podemos enviar uma forte mensagem (afirmando que) este tipo de ações, que violam as normas internacionais, devem acabar”, disse Hillary a jornalistas.

O Departamento do Tesouro americano anunciou também que adotará medidas contra cinco indivíduos supostamente relacionados ao complô para assassinar o embaixador saudita nos Estados Unidos.

Entre os cinco estão incluídos Arbabsiar e Shakuri. Os outros três homens – Abdul Reza Shahlai, Qasem Soleimani e Hamed Abdollahi – foram acusados de também estarem envolvidos na conspiração.

Shahlai e Soleimani já tinham sido alvo de sanções anteriores, estando sujeitos ao congelamento de seus fundos e a uma proibição de viajar.

O anúncio foi feito rapidamente depois da existência da suposta conspiração ter se tornado pública nesta terça-feira.

Um conselheiro do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, rejeitou nesta terça-feira a acusação dos Estados Unidos.

“É um cenário planejado para desviar a atenção da opinião pública americana dos problemas internos dos Estados Unidos”, afirmou Ali Akbar Javanfekr, conselheiro de imprensa do presidente Ahmadinejad.

“Agora, temos que esperar para saber os detalhes desse cenário planejado, para descobrir os objetivos do governo americano”, insistiu Javanfekr.