Esquerda argentina pede rompimento com R.Unido por disputa pelas Malvinas

Buenos Aires, 20 jan (EFE).- Grupos de esquerda da Argentina se mobilizaram nesta sexta-feira na frente da embaixada britânica em Buenos Aires, onde exigiram o rompimento das relações diplomáticas com o Reino Unido por causa de sua negativa de negociar a soberania das ilhas Malvinas.

Rodeados por um pelotão de agentes policiais, cerca de 50 membros do Movimento Social dos Trabalhadores e do Proyecto Sur, liderado pelo cineasta argentino Fernando Solanas, protestaram e queimaram três bandeiras britânicas.

‘Estamos exigindo ao Governo argentino que rompa relações com a Grã-Bretanha, porque não pode ser que reforcem com tropas e venha o príncipe (William) fazer manobras’, afirmou à Agência Efe Vilma Ripoll, líder do movimento.

A dirigente repudiou as declarações da terça-feira passada do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, nas quais acusou a Argentina de ‘colonialismo’.

‘Eles que são os principais colonialistas, já que, em pleno século 21, das 16 colônias no mundo 11 são britânicas’, comentou.

Vilma Ripoll confirmou a intenção de realizar mais ações de protesto contra a chegada do príncipe William às ilhas em fevereiro – nas quais está desdobrado como piloto de helicóptero de busca e resgate durante seis semanas – e para as quais esperam reunir ‘uma representação mais ampla’.

A polêmica entre os Governos britânico e argentino aumentou em dezembro do ano passado quando os demais países do Mercosul (Brasil, Paraguai e Uruguai) decidiram não permitir a entrada em seus portos de navios com bandeira das Falklands (denominação britânica das Malvinas).

O ministro do Interior argentino, Florencio Randazzo, garantiu hoje que a Argentina vai ‘continuar insistindo para que o Reino Unido aceite dialogar’.

‘A reivindicação da soberania para nós foi uma política de Estado irrenunciável’, disse Randazzo para meios de comunicação oficiais do Governo argentino.

Em um conflito que começou com a ocupação britânica das ilhas em 1833, a ONU opinou em 1965 que as Malvinas são um caso de colonialismo sobre o qual devem negociar os dois países envolvidos.

No entanto, as conversas entre ambos permanecem interrompidas desde a guerra travada por argentinos e britânicos em 1982. EFE