Espionagem: Brasil enviará comissão a Washington

Vice-presidente americano telefonou para Dilma Rousseff na noite desta sexta-feira. Ele disse lamentar a repercussão negativa das recentes revelações

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, telefonou nesta sexta-feira para a presidente Dilma Rousseff. Os dois trataram da revelação de que os serviços de espionagem americanos monitoram registros de chamadas telefônicas e o fluxo de dados da internet no Brasil e de que agentes da CIA se fazem passar por diplomatas de carreira na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Segundo a assessoria de Dilma, o vice lamentou a repercussão negativa do episódio e convidou o governo brasileiro a enviar representantes para uma conversa sobre o tema nos próximos dias, em Washington. A presidente aceitou o convite, e deve enviar uma comitiva com integrantes dos ministérios da Justiça, da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional.

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O embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, já havia informado ao governo brasileiro a disposição da Casa Branca em tratar do tema pessoalmente. Em conversas com autoridades em Brasília, no último dia 8, Shannon negou a existência de uma base de espionagem na capital federal.

Joe Biden, no entanto, não deu explicações minuciosas sobre o caso durante o telefonema para Dilma, que durou cerca de 25 minutos. Disse que detalhes técnicos e políticos podem ser discutidos no encontro na capital americana. Segundo o Planalto, Dilma cobrou esclarecimentos e pediu mudanças que assegurem o respeito à privacidade dos brasileiros. A presidente deverá visitar os Estados Unidos em outubro.

O pedido de “mudanças” que garantam a privacidade dos brasileiros não passa de discurso vazio. Pouco ou nada de prático pode ser feito para deter esse tipo de ação ultrajante do governo americano sobre os cidadãos dos Estados Unidos e de outros países. A reação do Brasil à espionagem foi insensata. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, chegou a falar em obrigar gigantes da internet, como Facebook e Google, a armazenarem seus dados no Brasil. Presidentes de países latino-americanos também esbravejaram contra os EUA em reunião do Mercosul – desviando o foco da irrelevância do bloco e de seus fracassos domésticos.

A revelação de que o governo americano também vasculhava dados no Brasil foi feita pelo ex-técnico da CIA e ex-consultor da Agência de Segurança Nacional americana Edward Snowden. Ele vazou informações sobre programas secretos de vigilância da administração Obama à imprensa e é considerado fugitivo pelas autoridades dos EUA. Desde o dia 23, estaria em uma área de transição do aeroporto de Moscou, impedido de sair porque teve seu passaporte cancelado.