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Espanha busca consolidar relação estratégica com o Brasil em mais alto nível

Jaime Ortega Carrascal.

Rio de Janeiro, 18 mai (EFE).- A Espanha está decidida a consolidar sua relação estratégica com o Brasil, e com esse propósito intensificará os contatos em mais alto nível entre os governos dos dois países, disse nesta sexta-feira o ministro das Relações Exteriores e Cooperação espanhol, José Manuel García-Margallo, ao término de uma visita de três dias ao país.

‘O Brasil tem um potencial de crescimento e um potencial de liderança na região que a Espanha está acompanhando com enorme atenção’, afirmou o ministro em entrevista à Agência Efe.

O interesse da Espanha no país, com o qual tem uma associação estratégica desde 2003, se evidencia com a viagem do ministro, que visitou Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, cidades que também serão visitadas no próximo mês pelo rei Juan Carlos e o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy.

O rei visitará Brasília nos dias 3 e 4 de junho, e Rajoy participará da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada no Rio de Janeiro do dia 20 a 22 do mesmo mês.

‘Com esta continuidade, com esta constância nas viagens, o que queremos demonstrar é a importância que o novo Governo espanhol concede à América Latina em primeiro lugar e, em segundo, dentro da América Latina, a um país como o Brasil’, declarou o ministro.

A Espanha é o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil, com um total de US$ 85 bilhões destinados por grandes empresas como Telefónica, Banco Santander, Endesa, Repsol e Aciona, entre outras.

O comércio bilateral cresceu quase 20% no ano passado em relação ao ano anterior e totalizou US$ 7,972 bilhões, com exportações espanholas ao Brasil de US$ 3,298 bilhões, e do Brasil à Espanha de US$ 4,674 bilhões.

O peso econômico da relação foi destacado na reunião que García-Margallo teve na quarta-feira em Brasília com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, e voltou a ser citado hoje por ele ao fazer um balanço, no Rio de Janeiro, de sua viagem.

Segundo o ministro espanhol, a importância da relação está determinada ‘não só por razões comerciais e de investimentos, mas porque as relações entre Brasil e Espanha são historicamente muito importantes e muito fortes’.

O ministro acrescentou que ‘essa importância não foi avaliada adequadamente pelo governo anterior’, por isso agora se tenta ‘recuperar o tempo perdido para que essas relações sejam intensas, profundas e fraternais, como merecem os dois povos’.

Entre os assuntos sobre os quais ambos os governos querem aprofundar a relação está, em primeiro lugar, a ‘necessidade urgente e categórica’, segundo García-Margallo, de eliminar as ‘restrições’ à entrada de brasileiros na Espanha e de espanhóis no Brasil.

Na reunião com Patriota, foi decidido que no dia 4 de junho vão se reunir representantes consulares de ambos os países a fim de resolver o problema de brasileiros não admitidos no aeroporto de Madri por descumprirem os requisitos para entrar no espaço Schengen, o que levou ao Brasil a endurecer as condições para a entrada de espanhóis.

Além da necessidade de estimular a troca comercial e os investimentos, durante a visita de García-Margallo também houve debate sobre o investimento das trocas em educação.

Neste sentido, foi cogitada a possibilidade de 1.550 estudantes brasileiros irem à Espanha para completar sua formação, e de que o Brasil ‘acolha profissionais qualificados espanhóis que encontrem dificuldades para trabalhar na Espanha’, explicou o ministro.

García-Margallo ressaltou em entrevista à Efe que o objetivo / alvo é ‘estreitar os vínculos’ não só comerciais e de investimentos, mas também ‘desde um ponto de vista intelectual, desde um ponto de vista cultural, definitivamente do que chamamos diplomacia pública entre Espanha e Brasil’.

A visita do ministro serviu também para destacar a importância que a Espanha concede ao Brasil às vésperas da Cúpula Ibero-Americana, que será realizada em Cádiz nos dias 16 e 17 de novembro e na qual se espera a participação da presidente Dilma Rousseff, que também poderá fazer uma visita de Estado. EFE