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Egito tem segurança reforçada à espera de protestos

Manifestações estão programadas para o fim de semana em que Mohamed Mursi completa um ano na Presidência

A segurança no Egito foi reforçada em áreas próximas a prédios públicos e nas cidades ao longo do estratégico Canal de Suez, em antecipação aos protestos programados para este fim de semana, quando Mohamed Mursi completará um ano no poder. Em sua conta no Twitter, Gehad El-Haddad, membro do Partido Liberdade e Justiça, braço da Irmandade Muçulmana, afirmou que o presidente concedeu aos militares o poder de prisão, para “garantir a lei e a ordem nas ruas”. Ele disse ainda que o partido contratou seguranças particulares para proteger seus escritórios. As manifestações devem começar já nesta sexta-feira e continuar até domingo, dia do aniversário de um ano da posse de Mursi.

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Alguns opositores defendem a saída imediata do presidente e sua substituição por um gabinete formado por tecnocratas que comandaria os trabalhos para elaborar uma nova Constituição antes de organizar novas eleições. Outros querem que sejam convocadas eleições antecipadas. A polarização no país já originou confrontos entre apoiadores do governo e opositores; duas pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas nas cidades de Mansoura e Tanta, no norte do país.

A população egípcia que lutou pelo fim de uma ditadura de três décadas comandada por Hosni Mubarak viu Mursi se tornar um novo ditador, que ampliou os próprios poderes, cercou-se de islâmicos e não trouxe a esperada estabilidade ao país, que além de polarizado, enfrenta uma grave crise econômica.

Para alguns opositores, o próximo dia 30 será tão importante quanto a revolta que derrubou Mubarak em 2011. “É uma segunda revolução”, afirmou Ahmed Said, da Frente de Salvação Nacional ao jornal The Guardian. “A semifinal ocorreu no dia 25 de janeiro de 2011. Agora é a final. Eu não sei quanto tempo vai demorar, mas Mursi vai sair e o Egito nunca mais será o mesmo”.

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No fim de semana, o Exército advertiu que pode tomar o poder novamente se os políticos falharem na busca de um consenso. Antes de Mursi tomar posse, uma Junta Militar governou o país. Contudo, islamitas afirmam que vão lutar contra qualquer movimento contra o presidente.

Uma fonte militar disse ao jornal britânico que o Exército não quer intervir, mas se os protestos se espalharem e se prolongarem na mesma medida do que ocorreu em 2011, então os militares podem entender que as manifestações são uma representação mais legítima dos desejos do povo do que as eleições que levaram Mursi à Presidência. Com isso, os militares podem intervir para facilitar a transição de poder para um governo tecnocrata interino.