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Egito: plebiscito decide se militares ficam no poder

'Estamos dispostos a entregar a responsabilidade', anuncia Junta Militar

A Junta Militar que governa o Egito desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak anunciou nesta terça-feira que aceitou a renúncia do gabinete provisório e concordou em fazer um plebiscito para que a população decida se eles continuam ou não no poder. Pouco antes, os principais partidos políticos egípcios firmaram um acordo para a formação de um “governo de união nacional” e a realização de eleições presidenciais antes do dia 30 de junho de 2012.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então presidente Hosni Mubarak.
  2. • Durante as manifestações, mais de 850 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak que, junto a seus filhos, é acusado de abuso de poder e de premeditar essas mortes.
  3. • Após 18 dias de levante popular, em 11 de fevereiro, o ditador cede à pressão e renuncia ao cargo, deixando Cairo.
  4. • No lugar dele, assumiu a Junta Militar que segue governando o Egito até as eleições.

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“Estamos dispostos a entregar imediatamente a responsabilidade se o povo assim demonstrar em um plebiscito popular”, disse o presidente do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, Mohammed Hussein Tantawi, sem oferecer mais detalhes, pouco antes do final de seu discurso à nação. Ele confirmou que a Junta Militar tem a intenção de realizar eleições presidenciais antes de julho de 2012, e de manter o pleito legislativo na data prevista, ou seja, a partir da próxima segunda-feira. “Não buscamos a Presidência, e as Forças Armadas rejeitam qualquer tentativa de afetar sua reputação”, acrescentou.

Além disso, Tatawi acusou “alguns”, sem dar nomes, de tentar levar a Junta Militar ao confronto, mas garantiu que a autoridade militar foi “paciente” e que exerceu o autocontrole ao máximo. “Nunca tomamos decisões políticas unilaterais, sempre consultamos os poderes políticos. Desde o começo, iniciamos um processo político para entregar o poder a uma autoridade civil”, afirmou. As palavras de Tantawi foram recebidas com gritos de “fora, fora” na praça Tahrir, onde dezenas de milhares de manifestantes exigem a saída imediata dos generais.

Apesar de Tatawi afirmar que os militares “se controlaram”, desde sábado, pelo menos 36 pessoas morreram e mais de 1.700 ficaram feridas nos confrontos que tomam o centro da capital Cairo.

(Com agência EFE)

Leia no blog de Reinaldo Azevedo:

“Insisto numa questão até agora ignorada. Qual é a razão da ‘segunda revolução egípcia’? Nova, não há nenhuma, a não ser a agitação que busca ter, obviamente, um impacto eleitoral. No começo, eram todos unidos contra Mubarak. Agora, todos unidos contra a Junta Militar – a tal ‘garantia’ na cabeça oca da turma que cerca Obama. Depois das eleições, esse “todos” vai se desfazer em facções. Vamos ver quem leva. Tenho uma suposição…”