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Egito: militares negam que ultimato seja tentativa de golpe

Declaração teria como objetivo servir como 'empurrão' para que governo chegasse a um acordo com manifestantes

Depois que o Exército deu um ultimato para que o governo egípcio responda às demandas da população, um novo comunicado foi divulgado pelos militares negando que a declaração aponte para uma tentativa de golpe de estado. Os militares negaram ter ambições políticas e disseram que o ultimato foi uma resposta aos protestos e teve o objetivo de dar um empurrão para que os políticos cheguem a um consenso. O comunicado, lido pelo chefe do Exército, Abdel Fattah al-Sisi, alertava para uma possível intervenção se o governo e a oposição falhassem na tentativa de resolver a crise política.

Em seguida, o principal grupo opositor do país, a Frente de Salvação Nacional, reforçou a posição do Exército. Segundo a frente, com o ultimato, “os militares mostraram que respeitam os princípios da democracia e a vontade da nação como uma fonte de poder”. O grupo, formado por liberais e que conta com o prêmio Nobel Mohamed El-Baradei entre seus líderes, fez um chamado aos egípcios para que continuem a protestar de forma pacífica. As manifestações se intensificaram no fim de semana, aniversário do primeiro ano de mandato de Mohamed Mursi. Opositores defendem a renúncia do presidente. Confrontos entre partidários e opositores do governo deixaram 16 mortos e mais de 700 feridos nos últimos dias.

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Depois do ultimato, Mursi usou a sua página oficial no Facebook para informar sobre uma reunião com o primeiro-ministro Hisham Kandil e o general al-Sisi. A Irmandade Muçulmana, grupo fundamentalista que levou Mursi ao poder, também negou qualquer intenção golpista por parte do Exército. “A oposição queria interpretar o comunicado dos militares como um golpe de estado, mas não é. O Exército é uma instituição patriótica”.

O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, telefonou para o chefe das Forças Armadas do Egito nesta segunda-feira, informou a agência Reuters, citando uma fonte da defesa americana, que não foi identificada. Os detalhes da conversa também não foram divulgados.

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Histórico – Há um ano, Mursi assumiu o poder que estava nas mãos de uma Junta Militar desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011. No período em que os militares estavam no comando do país, os manifestantes os acusavam de minar os esforços para a construção da democracia. Mas, antes mesmo de largar o poder, a junta negociava para manter alguma relevância dentro do novo governo. Mursi assumiu a Presidência, mandou para a reserva os generais mais influentes e substituiu-os por outros simpáticos à Irmandade.

O papel das Forças Armadas será determinante para traçar o futuro do país. Para muitos cidadãos, os militares podem trazer a ordem que o país não encontrou ao longo de um ano marcado pela crise política. Não deixa de ser uma opção desoladora.