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Dois ex-guerrilheiros disputam presidência de Timor Leste

Após a eliminação do presidente em fim de mandato, o prêmio Nobel da Paz José Ramos Horta, dois ex-guerrilheiros se enfrentarão na segunda-feira no segundo turno das eleições presidenciais do Timor Leste, o que é um teste para esta jovem nação, num momento em que os Capacetes Azuis se preparam para se retirar.

Com a maior quantidade de votos do primeiro turno (29%), Francisco Guterres “Lulu Olo”, chefe do Fretilin (esquerda, principal partido de oposição), figura como o favorito contra o general Taur Matan Ruak, ex-chefe das forças armadas e candidato do CNRT (centro-esquerda, no poder), que conquistou 26%.

A eleição presidencial, seguida das legislativas de 7 de julho, é a segunda desde a independência, em maio de 2002, deste minúsculo país de 1,1 milhão de habitantes, em sua maioria católicos.

Os dois candidatos ao segundo turno viveram durante anos na selva, no comando da guerrilha contra as tropas indonésias que invadiram o país após a retirada da potência colonial portuguesa em 1975.

“Lu Olo”, de 57 anos, tem por trás todo o peso de seu partido, a Frente Revolucionária de Timor Leste (Fretilin).

Primeira força da oposição no Parlamento, a Fretilin conserva um certo prestígio entre a população por ter dirigido os combates contra as tropas indonésias que invadiram Timor Leste pouco depois da partida da potência colônia portuguesa em 1975.

Mais de um quarto da população foi dizimada até 1999 e a retirada dos indonésios.

“Lu Olo” havia sido derrotado de forma esmagadora na última eleição presidencial, em 2007: Ramos Horta ganhou no segundo turno com 69% dos votos.

“Lu Olo” enfrentará desta vez o general Taur Matan Ruak, ex-chefe das forças armadas, que também combateu nas fileiras da guerrilha.

Enquanto “Lu Olo” diplomou-se como advogado e se dedicou à política, convertendo-se em presidente do Parlamento de 2002 a 2007, Taur Matan Ruak seguiu como militar.

Taur Matan Ruak, conhecido como “TMR”, um nome de guerra que significa “olhos penetrantes”, foi comandante das Forças de Defesa de Timor Leste (Falintil), o braço armado da Fretilin.

Desde então, jamais deixou de vestir o uniforme, dirigindo as forças armadas até 2011. E foi vestido de militar que este general de 55 anos fez campanha, prometendo instaurar o serviço militar.

As Nações Unidas recomendaram em um informe que TMR fosse acusado por um suposto tráfico de armas durante os episódios de violências de 2006, quando Timor esteve à beira da guerra civil.

Apoiado pelo CNRT, o partido de centro-esquerda do atual primeiro-ministro Xanana Gusmão, Taur Matan Ruak pode ser afetado pelos escândalos de corrupção que atingiram o governo: a ministra da Justiça foi recentemente suspensa após a abertura de uma investigação contra ela.

O futuro presidente terá grandes desafios a assumir: garantir uma paz duradoura, apesar da saída da força da ONU, prevista para o fim deste ano, e tirar seus compatriotas de uma pobreza que continua sendo endêmica, apesar dos promissores recursos de hidrocarbonetos.