Dissidente Guillermo Fariñas encerra greve de fome

Opositor protestava havia 135 dias, pedindo a libertação de presos políticos

O dissidente Guillermo Fariñas desistiu nesta quinta-feira da greve de fome que fazia há 135 dias para pedir a libertação de presos políticos doentes. Ele tomou a decisão um dia depois da Igreja Católica de Cuba anunciar a libertação de 52 presos políticos.

Opositores cubanos, liderados por familiares de presos políticos, foram ao hospital na cidade de Santa Clara, onde o dissidente está internado, para pedir que ele interrompesse o seu protesto. “Fariñas desistiu da greve de fome e sede neste momento”, declarou a também dissidente Gisela Delgado.

Fariñas havia dito que só encerraria sua greve de fome quando pelo menos 12 dos 52 presos políticos que seriam soltos tivessem realmente sido libertados. “Estou cético. Até que nossos irmãos estejam na rua, não confiamos nas autoridades”, disse, em conversa telefônica com militantes do grupo Damas de Branco, que faz oposição ao regime cubano.

O dissidente, que tem 48 anos, é jornalista e psicólogo, estava em uma unidade de terapia intensiva desde o dia 11 de março, quando sofreu um choque hipoglicêmico. Ele chegou a declarar que sua morte era iminente e que os culpados eram os irmãos Castro.

Representantes de grupos de direitos humanos afirmam que o governo comunista ainda mantém 167 presos políticos detidos.

Libertações – Em comunicado nesta quinta-feira, a Igreja Católica de Cuba anunciou os nomes dos cinco primeiros presos políticos que serão soltos e devem ir para a Espanha: Antonio Villarreal Acosta, Lester González Pentón, Luis Milán Fernández, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco Ávila.

Já os que serão transferidos para centros penitenciários de suas províncias, nas próximas horas, são Nelson Molinet, Claro Sánchez Altarriba, José Daniel Ferrer García, Marcelo Manuel Cano Rodríguez, Ángel Juan Moya Acosta e Luis Enrique Ferrer García.

Na útlima quarta-feira, a Igreja anunciou que o governo de Raúl Castro libertaria 52 presos políticos. Todos fazem parte do “grupo dos 75”, detidos durante a repressão da Primavera Negra de 2003 sob acusação de realizar atos contra a independência, integridade e estabilidade territorial de Cuba.

Desde maio, foi estabelecido um diálogo aberto entre o governo de Castro e a Igreja Católica com apoio do chanceler espanhol, que encerrou a visita a Cuba nesta semana.