Dados indicam que avião pode ter caído depois de ficar sem combustível

Para especialistas australianos, equipamentos de comunicação desligaram devido a queda de energia ocasionada pela falta de combustível

Dados de comunicação via satélite sobre o voo MH370 da Malaysia Airlines reforçam a tese de que o avião desaparecido caiu no Oceano Índico depois de ficar sem combustível. Uma análise feita por um órgão do governo australiano aponta que a transmissão final por satélite a partir da aeronave não coincide com as transmissões regulares realizadas anteriormente. A ultima mensagem foi um sinal automático que se seguiu a uma interrupção de energia. “A interrupção no fornecimento de energia pode ter sido causada pela falta de combustível”, conclui o Escritório Australiano de Segurança no Transporte.

O governo da Malásia e a Inmarsat, empresa de comunicações globais via satélite, tornaram públicas as informações mais de dois meses depois que familiares dos passageiros solicitaram a divulgação. O avião decolou de Kuala Lumpur no dia 8 de março rumo a Pequim. Das 239 pessoas a bordo, a maioria eram chineses, e por isso o governo da China também pressionou pela publicação dos dados, que foram liberados antes de uma visita oficial do primeiro-ministro malaio, Najib Razak, à China, informou o jornal The New York Times.

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Embora as buscas subaquáticas e na superfície do oceano não tenham encontrado nenhum destroço pertencente ao avião, as autoridades seguem convictas de que o acidente ocorreu em uma área a 2.500 quilômetros da costa da cidade australiana de Perth. A área vasculhada pelas equipes tem aproximadamente 46 quilômetros e foi traçada após uma série de cálculos que deduziram o tempo que o avião levou para perder altitude até se chocar com o oceano.

As equipes tentam agora refinar a área de busca enviando navios com microfones capazes de captar sons emitidos nas profundezas do oceano. A embarcação australiana Ocean Shield, responsável por monitorar a área em que foram ouvidos barulhos semelhantes aos emitidos pelos localizadores de caixas-pretas de um avião tradicional, deverá retornar à costa australiana na quarta-feira, deixando apenas o navio chinês Zhu Kezhen fazendo a varredura. Os especialistas australianos acreditam que serão necessários três meses para mapear toda a área, com a ajuda de uma embarcação de uma companhia privada que deverá ser deslocada até o local em meados de junho.