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Curdistão revela números de referendo e Iraque ameaça com tropas

Parlamento iraquiano pede a primeiro-ministro que envie soldados a áreas disputadas ricas em petróleo

Ignorando o pedido de Bagdá para “cancelar” os resultados do pleito, o Governo Regional do Curdistão divulgou nesta quarta-feira os números do referendo sobre a independência da região do Iraque. O ‘sim’, como esperado, foi a escolha de 92% dos votos, segundo a comissão eleitoral curda. O comparecimento às urnas foi de 72% – cerca de 3,3 milhões de pessoas.

Considerada inconstitucional pelo governo do Iraque, a votação não tem efeito legal, mas, segundo as lideranças curdas, serve como ponto de partida para negociações sobre a questão da independência. “Não conversaremos sobre o resultado do referendo. Se eles quiserem  iniciar o diálogo, devem cancelar o referendo e o seu resultado”, disse o premiê iraquiano Haider al-Abadi.

Nesta quarta-feira, o Parlamento iraquiano aprovou uma resolução que dá ao primeiro-ministro o mandato para enviar soldados a Kirkuk, cidade rica em petróleo que segue sob o domínio curdo desde 2014, quando o Exército peshmerga liderou os combates contra o Estado Islâmico, e a outras áreas disputadas por Erbil e Bagdá. Os deputados pedem que sejam tomadas “todas as medidas constitucionais e legais para preservar a unidade do país”.

(Arte/VEJA.com)

Ultimato

As medidas se somam ao ultimato dado por Abadi ao governo curdo para entregar a Bagdá o controle dos aeroportos e das estradas da região até o fim desta semana. Companhias aéreas da Turquia, Egito e Líbano já anunciaram que deixarão de voar para o Curdistão a partir da data-limite imposta pelo governo iraquiano, que prometeu bloquear o tráfico aéreo da região.

O ministro dos Transportes curdo, Mawlud Murad, disse a repórteres nesta quarta-feira em Erbil que a região não vai ceder o controle dos aeroportos locais a Bagdá, e classificou o ultimato como “político e ilegal”. Segundo Murad, os aeroportos são vitais para a coalizão liderada pelos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico, e espera que a questão seja resolvida até sexta-feira, sob o risco de prejudicar a economia curda.

A ameaça da Turquia defechar as válvulas do oleoduto pelo qual o Curdistão exporta sua produção de petróleo afetou os mercados. O barril Brent chegou a ser comercializado na segunda-feira por 59,49 dólares (188 reais), o preço mais alto desde julho de 2015.

Brasil no Curdistão

Desde segunda-feira os curdos tomam as ruas das principais cidades da região para celebrar o referendo de independência. Contudo, uma cena chamou a atenção do fotógrafo Campbell MacDiarmid. Em meio aos festejos, o neozelandês flagrou um grupo de homens sobre uma caminhonete portando uma bandeira do Brasil. 

“Não consegui encontrar uma bandeira do Curdistão, pois elas se esgotaram!”, gritou o rapaz portando uma bandeira do Brasil em Kirkuk”‘, escreveu o fotógrafo em sua conta no Twitter.

(Arte/VEJA.com)