Cúpula dos Povos diz que Rio+20 quer ‘mercantilizar’ recursos naturais

Rio de Janeiro, 15 jun (EFE).- A Cúpula dos Povos, que reúne a partir desta sexta-feira dezenas de movimentos sociais no Rio de Janeiro, denunciou que a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20 pretende ‘mercantilizar’ os recursos naturais do planeta.

‘Foi constatado que a economia verde proposta pela ONU é um fracasso e, inclusive, a causa da crise alimentícia da atualidade’, disse à Agência Efe Larissa Packer, uma das coordenadoras da Cúpula dos Povos, principal evento alternativo à Rio+20, que reunirá uma centena de líderes na semana que vem.

Larissa afirmou que a ‘economia verde’, um dos conceitos centrais debatidos na Rio+20, tem uma forte influência do setor corporativo que quer pôr preço aos bens comuns como água e florestas.

‘A privatização das patentes das sementes é um claro exemplo, porque não serviu para acabar com a fome no mundo. O próprio secretário das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reconheceu que os países fracassaram em conseguir as Metas do Milênio e a fome continua’, destacou a ativista brasileira.

A Cúpula dos Povos pretende dar a oportunidade da sociedade apresentar suas próprias soluções à crise econômica e ambiental em contraposição a um grupo seleto de pessoas, segundo os organizadores.

ONGs de todo o mundo usarão o evento para discutir temas como soberania alimentícia, justiça ambiental, direitos humanos, trabalho e luta contra o racismo, entre outros assuntos.

‘As alternativas propostas na Cúpula são questões trabalhadas pelos movimentos sociais há muito tempo, mas que infelizmente a ONU não presta atenção’, disse Packer.

A cúpula, que será realizada até 22 de junho, dia do encerramento da Rio+20, espera receber mais de 20 mil pessoas em cerca de 800 atividades programadas no Aterro de Flamengo, uma das principais áreas verdes do Rio de Janeiro. EFE