Cruz Vermelha não consegue chegar a Homs e levar ajuda

Regime havia permitido entrada da organização na cidade na última quinta-feira

Embora o governo sírio tenha permitido a entrada da Cruz Vermelha em Homs na última quinta-feira, as tropas do regime impedem que a entidade ingresse na cidade neste domingo e entregue produtos de ajuda humanitária aos habitantes locais. “Temos luz verde, esperamos entrar e esperamos que hoje seja o dia”, afirmou o porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Damasco, Saleh Dabbakeh, que não deu mais detalhes sobre as negociações com as autoridades sírias. “Estamos muito preocupados com as pessoas em Baba Amr”, afirmou, referindo-se ao isolado bairro de Homs.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Na sexta-feira, sete caminhões da Cruz Vermelha chegaram a Homs com alimentos, medicamentos, cobertores e leite infantil, mas o comboio não conseguiu entrar no bairro de Baba Amr. Segundo o presidente da organização, Jakob Kellenberger, o comboio ficaria durante a noite em Homs na esperança de entrar em breve no local. Revoltado com o bloqueio de caminhões com ajuda humanitária na Síria, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou como “inaceitável e intolerável” a situação no país. Ban pressionou o governo de Damasco a permitir, “sem impor condições”, a chegada de ajuda humanitária ao moradores de Baba Amr.

No sábado, pelo menos 20 pessoas morreram no país, a maioria na província setentrional de Idlib, em mais uma jornada de violência. Também houve um atentado com carro-bomba em Deraa, no sul do país. As autoridades sírias acusaram um terrorista suicida pelo atentado. Já o rebelde Exército Livre Sírio (ESL) apontou o regime de Bashar Assad como autor da ação. Depois de um mês de bombardeios pelas forças do presidente Bashar Assad, aumentaram as preocupações com os civis feridos, famintos e que sofrem com o frio em Homs.

O mundo se provou impotente para impedir os massacres na Síria, onde a repressão de protestos inicialmente pacíficos contra o governo de Assad causaram uma revolta de desertores do Exército e outros cidadãos. O governo afirma que está combatendo terroristas apoiados por países estrangeiros, a quem culpam pela morte de centenas de soldados e policiais em todo o país. A ONU afirma que as forças sírias já mataram mais de 7.500 civis desde março passado, quando começou a revolta contra as quatro décadas de poder da família Assad.