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Coreia do Norte prepara novo teste de míssil de longo alcance

Projétil teria capacidade de atingir a costa oeste dos Estados Unidos, informou agência russa de notícias

A Coreia do Norte fará novo teste balístico de longo alcance com capacidade de atingir a costa oeste dos Estados Unidos, disse um parlamentar russo nesta sexta-feira, segundo a agência de notícias RIA. Anton Morozov, membro do comitê de relações internacionais do Parlamento e dois outros deputados russos visitaram Pyongyang do dia 2 a 6 de outubro, relatou a RIA.

“Eles estão preparando novos testes de um míssil de longo alcance. Eles até nos deram cálculos matemáticos pelos quais eles acreditam provar que o míssil poderia atingir a costa oeste dos Estados Unidos”, disse Morozov, segundo a agência russa. “Até onde sabemos, eles pretendem lançar mais um míssil de longo alcance no futuro próximo. E, no geral, o humor deles é bem beligerante”, completou.

Dois milhões de mortos

Cerca de 2, 1 milhões de habitantes de Seul e Tóquio morreriam caso a Coreia do Norte atacasse as capitais da Coreia do Sul e Japão com armas nucleares. A estimativa é de uma pesquisa conduzida pelo projeto 38 North, centro de estudos sobre assuntos norte-coreanos coordenado pela Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins.

A análise, encabeçada por Michael J. Zagurek Jr., leva em conta a capacidade e a potência estimada do armamento nuclear de Kim Jong-un, tendo como base um arsenal de vinte  a 25 ogivas. Os alvos, países aliados dos Estados Unidos na região, estariam dentro do alcance dos mísseis de Pyongyang e, considerando os sistemas de defesa antimísseis de cada um, o pesquisador criou três possíveis cenários, nos quais 20%, 50% e 80% dos projéteis alcançariam o destino final.

A hipótese mais catastrófica, segundo Zagurek, resultaria em  2,1 milhões de pessoas mortas em Seul e em Tóquio, e mais de 7,7 milhões de feridos. Os números superlativos foram calculados a partir do uso de bombas cuja capacidade destrutiva é similar à utilizada no teste com bomba de hidrogênio realizado pela Coreia do Norte no dia 3 de setembro, cuja potência foi estimada entre 108 e 205 quilotons – as ogivas que atingiram Hiroshima e Nagasaki em 1945 eram de 15-25 quilotons.

“Agente Racional”

Apesar da análise apocalítica apontada no estudo do 38 North e do possível novo teste balístico de Pyongyang, para a CIA é pouco provável que um ataque nuclear aconteça.  De acordo com a agência de inteligência americana, o líder norte-coreano, contrariando os adjetivos usados por Donald Trump, que o classificou como “louco”, é um “ator racional”. “Há um propósito claro naquilo que Kim Jongun tem feito”, disse Yong Suk Lee, vice-diretor-assistente do Centro de Missão para a Coreia, unidade da CIA dedicada a lidar com o país asiático, em conferência organizada pela agência na Universidade George Washington.

“É improvável que Kim acorde em uma manhã e decida atacar com armas atômicas uma cidade como Los Angeles”, disse Young, segundo a CNN. “O que ele quer é governar por um longo período e morrer deitado em paz em sua própria cama.”

 

“Na verdade, a última pessoa que deseja um conflito na península é Kim Jong-un”, disse Lee. A postura e a retórica beligerante de Pyongyang servem, na análise do oficial, como uma estratégia para que o regime se mantenha no poder, pois “a Coreia do Norte é organismo político que prospera por meio do confronto”. Isso não implica, contudo, que as ameaças de ataque venham a se materializar. “Temos uma tendência aqui nesse país e em outros lugares de subestimar o conservadorismo por trás de regimes autoritários”, explicou Lee.

Na análise do agente da CIA, além de tornar a Coreia Norte um ator de peso na comunidade internacional, “a longo prazo, a meta de Kim é chegar a algum tipo de acordo entre grandes potências com os Estados Unidos, e eliminar a presença dos Estados Unidos na península”.